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15 giugno Jardim de Infância - por Julinho Mazzei (Jun/2007)Tudo o que preciso realmente saber, sobre como viver, o que fazer e como ser, eu aprendi no Jardim de Infância. A sabedoria não se encontra num curso de pós-graduação, mas no montinho de areia da escola de todo o dia. Estas são as coisas que aprendi lá: Compartilhe tudo, jogue dentro das regras, não bata nos outros, coloque as coisas de volta onde pegou, arrume a sua bagunça, não pegue as coisas dos outros, peça desculpas quando machucar alguém, lave as mãos antes de comer, dê descarga após usar o vaso sanitário, biscoitos quentinhos e leite frio fazem bem para você, respeite o outro, leve uma vida equilibrada: aprenda um pouco, pense, desenhe, pinte, cante, dance, brinque e trabalhe um pouco todos os dias; tire uma soneca às tardes, quando sair, cuidado com os carros; dê a mão e fique junto, repare nas maravilhas da vida, lembre-se da sementinha no copinho plástico: as raízes descem, a planta sobe e ninguém sabe realmente como ou porque, mas todos somos assim. O peixinho dourado, o hamster, os camundongos brancos e até mesmo a sementinha no copinho plástico, todos morrem. Nós também. Tudo o que você precisa saber está lá, em algum lugar. A Regra de Ouro é o amor e a higiene básica. Ecologia, política, igualdade, respeito e vida sadia. Pegue qualquer um desses itens, coloque-o em termos mais adultos e sofisticados e aplique-os à sua vida familiar, ao seu trabalho, ao seu governo ou ao seu mundo e verá como ele é verdadeiro, claro e firme. Pense como o mundo seria melhor se todos nós, no mundo todo, tivéssemos biscoitinhos quentes com leite todos os dias, por volta das três da tarde pudéssemos nos deitar, com um cobertorzinho, para uma deliciosa soneca. Ou se todos os governos tivessem, como regra básica, devolver todas as coisas ao lugar em que elas se encontravam e arrumassem a bagunça ao sair? E é sempre verdade, não importando a idade: ao sair para o mundo, é sempre melhor dar as mãos e ficar junto. 12 giugno Morrer para Nascerpor Paulo Angelim, arquiteto, pós-graduado em marketing.
Nós estamos acostumados a ligar a palavra morte apenas à ausência de vida e isso é um erro. Existem outros tipos de morte e nós precisamos morrer todo dia. A morte nada mais é do que uma passagem, uma transformação. Não existe planta sem a morte da semente, não existe embrião sem a morte do óvulo e do esperma, não existe borboleta sem a morte da lagarta, isso é óbvio! A morte nada mais é do que o ponto de partida para o início de algo novo. É a fronteira entre o passado e o futuro. Se você quer ser um bom universitário, mate dentro de você o secundarista aéreo que acha que ainda tem muito tempo pela frente. Quer ser um bom profissional? Então mate dentro de você o universitário descomprometido que acha que a vida se resume a estudar só o suficiente para fazer as provas. Quer ter um bom relacionamento, então mate dentro de você o jovem inseguro ou ciumento ou o solteiro solto que pensa poder fazer planos sozinhos, sem ter que dividir espaços, projetos e tempo com mais ninguém. Enfim, todo processo de evolução exige que matemos o nosso “eu” passado, inferior. E, qual o risco de não agirmos assim? O risco está em tentarmos ser duas pessoas ao mesmo tempo, perdendo o nosso foco, comprometendo nossa produtividade e, por fim, prejudicando nosso sucesso. Muitas pessoas não evoluem porque ficam se agarrando ao que eram, não se projetam para o que serão ou desejam ser. Elas querem a nova etapa, sem abrir mão da forma como pensavam ou como agiam. Acabam se transformando em projetos inacabados, híbridos, adultos “infantilizados”. Podemos até agir, às vezes, como meninos, de tal forma que não matemos virtudes de criança que também são necessárias a nós, adultos, como: brincadeira, sorriso fácil, vitalidade, criatividade, etc. Mas, se quisermos ser adultos, devemos necessariamente matar pensamentos infantis, para passarmos a pensar como adultos. Quer ser alguém (líder, profissional, pai ou mãe, cidadão ou cidadã, amigo ou amiga) melhor e mais evoluído? Então, o que você precisa matar em você ainda hoje para que nasça o ser que você tanto deseja ser? Pense nisso e morra! Mas, não esqueça de nascer melhor ainda! 01 giugno A Teoria da Relatividade (Luciano Pires, 2007)Este artigo é de autoria de Luciano Pires (www.lucianopires.com.br) e está liberado para utilização em qualquer meio, contanto que seja citado o autor e não haja alteração em seu conteúdo. Um dos filmes que mais causaram impacto em minha vida foi “Em algum lugar no passado”, com Christopher Reeve, uma história de amor lindíssima, em que um escritor apaixona-se pela foto de uma atriz dos anos vinte. Uma paixão tão avassaladora que ele acha uma forma de voltar ao passado para encontrar a moça e viver uma história de amor emocionante. O filme é lindo, a trilha sonora é fabulosa e o tema, instigante: viajar no tempo. Quando Albert Einstein anunciou a sua Teoria da Relatividade, em 1905, viajar no tempo – pelo menos em teoria – deixou de ser algo impossível. Pois outro dia observei uma foto de um grupo de amigos na reunião de comemoração de 30 anos de minha formatura no colégio. Olhei aqueles senhores de cabelos brancos, gordos e carecas e imaginei o que aconteceria se a foto pudesse ser vista por eles quando tinham 16 anos. Já pensou? Você poder ir até o futuro e olhar onde estará, que rumo sua vida tomou? Imaginei então uma situação interessante. Alguém inventa uma máquina do tempo. E vai testar. Escolhe uma data aleatória – 1989, por exemplo – e aperta um botão. A máquina traz para o presente ninguém menos que Luis Inácio Lula da Silva. Aquele de vinte anos atrás. Lula chega meio zonzo: - O que é isso, companheiro? Sem entender o que acontece, Lula é recebido com carinho, toma uma água, senta-se num sofá e recupera o fôlego. - Onde eu tô? - No futuro, Presidente. Colocamos em prática a Teoria da Relatividade! - Futuro? Logo agora que vou ganhar do Collor, pô! Me manda de volta pro passado! Zé Dirceu! Zé? Cadê o Zé? - Calma, Lula. Aproveite para dar uma olhada no seu futuro. Você é o presidente da República! - Eu ganhei? - Não daquela vez. Mas ganhou em 2002. E foi reeleito em 2006! - Reeleito? Eu? Deixa eu ver, deixa eu ver!!! E então Lula senta-se diante de um televisor de plasma. Maravilhado, assiste a um documentário sobre os últimos 20 anos do Brasil. Um sorriso escapa quando a eleição de 2002 é apresentada. - Pô, fiquei bonito! Ué. Aquela ali abraçada comigo não é a Marta Suplicy? - Não, Presidente, é a Marisa Letícia. - Olha! Eu e o Papa! E aquele ali, quem é? - É George Bush, o Presidente dos Estados Unidos! - Arriégua! Êpa! Mas aquele ali abraçado comigo não é o Sarney? Com a Roseana? E o que é que o Collor tá fazendo abraçado comigo? O que é isso? Tá de sacanagem? - Não, presidente. Esse é o futuro! - AAAAhhhhhh! Olha lá o Quércia me abraçando! O Jader Barbalho! Cadê o Genoíno? Cadê o Zé Dirceu? - O senhor cortou relações com eles. - Meus amigos? Me separei deles e fiquei amigo do Quércia? - Pois é... - E aqueles ali? Não são banqueiros? Com aqueles sorrisos pra mim? - Estão agradecendo, Presidente. Os bancos nunca tiveram um resultado tão bom como em seu governo. - Bancos? Os bancos? Você tá de sacanagem. Sacanagem! - Calma, Presidente. O povo está gostando, reelegeram o senhor com mais de cinqüenta milhões de votos! - Mas não pode! Cadê os proletários? Só tô vendo nego da elite ali. Olha o Vicentinho de gravata! E o Jacques Wagner também! Mas que merda é essa? - É o futuro, Presidente. - E o Walter Mercado? Tá fazendo o quê ali? - Aquela é a Marta Suplicy, Presidente. - Ah, não. Não quero! Não quero! Não quero aquele meu terninho. Não quero aquele cabelinho. Não quero aquela barbinha. Desliga isso aí! - Mas Presidente, esse é o futuro. O senhor vai conseguir tudo aquilo que queria. - Não e não. Essa tal de teoria da relatividade é um perigo. - Perigo?! - É. As amizades ficam relativas. A moral fica relativa. As convicções ficam relativas. Tudo fica relativo. - Bem-vindo a 2007, Presidente. |
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