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8月29日 O Papel da Ecologia na Atualidade (por Alfredo Maia, 1985)Em 1866, o biólogo alemão Ernest Haeckel, em sua obra Morfologia Geral dos Organismos, propôs a criação de uma nova e modesta disciplina científica, ligada ao campo da Biologia, que teria por função estudar as relações entre as espécies animais e o seu ambiente orgânico e inorgânico. Para denominá-la, ele utilizou a palavra grega oikos e cunhou o termo “ecologia”. A mesma palavra grega havia sido usada anteriormente para denominar outra disciplina, que também viria a ocupar lugar de destaque no mundo contemporâneo - a “economia”. Qualquer pessoa que acompanhe o debate atual sobre os termos ditos ecológicos nos meios de comunicação poderá verificar a grande distância que separa a modesta proposta original de Haeckel e a ampla gama de idéias, projetos e visões de mundo que reivindica hoje em dia o uso da palavra “Ecologia”. Devemos observar, também, que a palavra Ecologia não é usada em nossos dias apenas para designar uma disciplina científica, cultivada em meios acadêmicos, mas também para identificar um amplo e variado movimento social, que em certos lugares e ocasiões chegaria a adquirir contornos de um movimento de massas e uma clara expressividade política. É natural, entrementes, diante da ampliação do campo da ecologia e da diversidade do movimento ecológico, que exista ao nível da opinião pública uma percepção bastante confusa sobre o que seja de fato essa corrente de pensamento, confusão agravada pela multiplicidade de enfoques e apropriações sociais das idéias surgidas no debate ecológico e divulgadas de forma fragmentária pelos veículos de comunicação de massa. A Poluição e seus Efeitos (por Alfredo Maia, 1985)O homem é um ser que está em constante desenvolvimento. Isso o distingue de todos os demais seres. Na sua fome de conhecimento, o homem desenvolve e cria novas culturas, diversificando o seu espectro de vida. O homem, muito criativo, inventou máquinas e aprendeu a desenvolvê-las com o passar do tempo para que essas o ajudassem a desenvolver-se. Avanços tecnológicos foram feitos e, com eles, a implantação das fábricas e indústrias foi uma mera conseqüência. No entanto, o homem não se preocupou com os outros efeitos da implantação dessas fábricas e indústrias. Com elas, veio a poluição e, com a poluição, uma série de distúrbios ecológicos e sociais. Tomemos, por exemplo, a cidade industrial de Cubatão, no interior de São Paulo. Nela, a poluição alcança índices tão grandes que provocam nos jovens recém-nascidos graves distúrbios, inclusive neurológicos, tais como a terrível anincefalia, que é o nascimento de crianças sem cérebro. É verdade que o governo local já se mobilizou para reduzir os problemas causados pela poluição local, mas cremos que problemas como esses poderiam, há muito, já ter sido evitados. Mesmo assim, esperemos que, num dos raros momentos de lucidez, os homens sejam capazes de compreender e evitar os efeitos da poluição ambiental, problemas esses, que já se alastram por muito tempo no nosso mundo.Os Grandes Problemas do Nordeste (por Alfredo Maia, 1985)Dentre todas as regiões brasileiras, uma atravessa, talvez, a sua pior fase. Com uma área de consideráveis centenas de quilômetros quadrados, a Região Nordeste é uma das regiões que mais foi afetada pela recessão econômica de que o Brasil já teve notícia. Como as principais metrópoles brasileiras encontram-se no sul do país, as maiores verbas são destinadas ao desenvolvimento destas, ao invés de serem canalizadas para as regiões mais necessitadas, tais como a Região Nordeste. O Nordeste, além dos problemas monetários devidos à recessão econômica do país, padece, também, de problemas climáticos, esses já não tão recentes. Na época das secas, o Nordeste transforma-se numa região desértica e inóspita, dificultando a vida dos moradores dessa região. Por contrapartida, quando as águas voltam aos rios da região, estes extrapolam as suas margens e transbordam, causando cheias que destroem o já sofrido solo nordestino, além de desabrigar milhares de nordestinos, obrigando-os a migrar para as outras regiões à procura de melhores condições de vida, atitude essa muitas vezes enganosa pois, nas grandes cidades, as condições de vida também não são das mais fáceis. Resta-nos, no entanto, a necessidade de confiar no nosso governo que começa a emergir nesse sofrido país, regando o nosso otimismo com esperanças para o povo nordestino de, pelo menos, melhores condições de vida. Áreas de Lazer (por Alfredo Maia, 1985)Um dos principais problemas enfrentados pelo homem moderno, no que tange ao convívio com outros homens fora do ambiente de trabalho, é a falta de espaços livres, lugares onde se possa desenvolver o lazer humano, pois nem só de trabalho vive o homem, já que o homem, como sabemos, necessita de um descanso mental para poder continuar sua jornada de trabalho. Talvez essa falta de lembrança da maioria dos Senhores de Estado seja uma decorrência do processo de crescimento e desenvolvimento acelerado das cidades e dos grupos humanos.O pouco caso das autoridades competentes em face à escassez de áreas de lazer nas grandes cidades faz-se refletir principalmente no declínio da qualidade de trabalho dos grupos humanos. Como assim? Muito simples: depois de uma jornada de trabalho de uma semana, um homem normal necessita de, pelo menos, algumas horas de lazer, seja este qual for. Entretanto, com a falta de áreas urbanas de lazer, as opções deste homem são sensivelmente reduzidas, levando-o ao não aproveitamento do seu tempo para o lazer. Com isso, a sua mente não poderá render um “ótimo” necessário para o desenvolvimento do seu trabalho, daí o declínio da qualidade desse trabalho. Lembremos também da parte estética de uma cidade. Imaginemos uma cidade sem áreas de lazer. Com certeza, esta seria uma cidade morta. Um emaranhado de construções em concreto, recortando por ruas e avenidas sombrias e tristes. Devemos portanto parar e pensar um pouco. Pensar se realmente vale a pena sacrificar as nossas áreas de lazer em favor de um falso progresso, Progresso esse que destrói para construir, que sufoca para que outros respirem. Áreas Verdes (por Alfredo Maia, 1985) Um dos principais problemas enfrentados pelo homem moderno,
no que tange ao meio ambiente, é a falta de contato com a natureza, com os
elementos primários à existência humana. Talvez essa falta de lembrança da
maioria dos homens seja uma decorrência do processo de crescimento e
desenvolvimento das cidades e dos grupos humanos. O pouco caso das autoridades competentes para com as já escassas áreas verdes existentes nas grandes capitais faz-se presente principalmente pelo contínuo aumento de doenças causadas por agentes poluentes, oriundos de grandes fábricas situadas, geralmente, nas proximidades dos grandes centros. Pode-se tomar como exemplo a cidade industrial de Cubatão no Estado de São Paulo onde, com o grande número de fábricas, as áreas verdes são quase que inexistentes, o que acarreta a um nível de poluição atmosférica muito elevado podendo vir a causar, inclusive, a morte a quem dela respirar. Entretanto, as áreas verdes não têm como função apenas a purificação do ar o qual respiramos. Devemos lembrar que, para as crianças, não há coisa melhor que brincar lado a lado com a natureza pois o contato com ela é, principalmente nessa fase de crescimento do ser humano, uma necessidade não somente para o corpo mas também para o espírito. Lembramos também da parte estética de uma cidade. Imaginemos uma cidade sem áreas verdes. Seria, dentre muitas outras coisas, uma cidade morta. Um emaranhado de construções de concreto, recortado por suas ruas e avenidas sombrias e tristes. Devemos portanto parar um pouco e pensar. Pensar se realmente vale a pena sacrificar as nossas áreas verdes em favor de um falso progresso. Progresso esse que destrói para construir, que sufoca para que outros respirem. Posse da Terra: condição de sobrevivência da Cultura Indígena (por Alfredo Maia, 1984) A cultura indígena está desaparecendo. Os motivos para esse desaparecimento são muitos, mas pode-se considerar, como principal, a falta da posse de terras por parte dos índios. O índio, pela sua própria natureza, necessita de um isolamento, uma terra própria onde possa perpetuar os seus descendentes e, conseqüentemente, a sua própria cultura. Entretanto, subjugado pelo homem branco, é destituído de suas terras e obrigado a adaptar-se à vida do homem branco, asimilando sua cultura e despojando-se da milenar cultura dos seus antepassados. A cultura indígena é, por excelência, rica. As vestimentas típicas são, em geral manufaturadas a partir de vegetais e seus detalhes e enfeites identificam as tribos onde foram produzidas. O idioma e a música indígena são de uma singularidade também típica de cada comunidade. Mas é na agricultura e na medicina que a cultura indígena tem a sua maior força, capaz de fazer frente à cultura do homem branco, superando-a em muitos fatores. Entrementes, com a falta de terras, o indígena vê-se obrigado a assimilar a cultura do homem branco, separando-se do seu povo, perdendo a sua origem, a sua cultura. Há, atualmente, uma corrente voltada para a demarcação de terras para os indígenas. Se essa corrente obtiver êxito e os indígenas ganharem a posse de mais terras para os seus povos, haverá, ainda, uma esperança de sobrevivência para a cultura indígena. As Catástrofes Climáticas Puseram à Prova A Solidariedade Dos Brasileiros (por Alfredo Maia, 1984) O Brasil sempre foi considerado um país paradisíaco, onde o Sol, o mar e os brasileiros conviviam harmoniosamente. A salvo de terremotos e dos temíveis furacões que costumam varrer a costa dos países nórdicos, o Brasil, apesar de estar atravessando uma das suas maiores crises financeiras desde o seu descobrimento, sempre fascinou os visitantes que por ele passaram. Entretanto, com as constantes mudanças climáticas que estão ocorrendo no Mundo, seja pela poluição produzida pelas fábricas, seja pelas revoluções da Terra em volta do Sol, o povo brasileiro experimentou grandes dissabores com relação ao seu país querido. Grandes secas assolaram o Nordeste brasileiro, causando mortes e destruição para o gado e a agricultura e, por decorrência, à grande parte da população nordestina. Se tal desgraça já não fosse o bastante, o Sul, por sua vez, também atravessou momentos de muita provação. Grandes cheias sepultaram cidades inteiras, causando mortes, prejuízos e muitos brasileiros desabrigados. Mas o povo brasileiro é um povo muito unido. Um gigantesco mutirão, formado por milhares de brasileiros pôs-se em funcionamento. Alimentos e cobertores vieram de todas as partes do Brasil para socorrer os molestados pelas desgraças climáticas brasileiras. No Nordeste, açudes foram abertos e, no Sul, novas barragens para conter a fúria dos rios estão em construção. Os problemas brasileiros ainda não estão todos solucionados. Entretanto, o povo brasileiro, como um povo unido, caminha para, em breve, alcançar dias melhores num Brasil que não é tão maravilhoso como tantos o dizem, mas ainda é Brasil. |
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