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    December 12

    A dúvida ainda é enorme sobre a TV Digital

    por Alamar Régis Carvalho, 2007/dez/12

    As pessoas estão confundindo tudo.
    Não troque o seu celular agora.

    Muitas dúvidas, muita confusão, muita indignação e até muita gente se aproveitando da situação para enganar o público na ânsia de apenas vender, vender, vender e faturar.
    Cuidado!!! Atenção para mais estes esclarecimentos, instruções e sugestões que passo aqui aos meus amigos.

    Começamos por reafirmar aquilo que dissemos, várias vezes, nos e-mails anteriores: Nem toda tv digital, necessariamente, é tv de alta resolução, ou seja, HDTV.

    O Palium, o Corsa e o Gol 1000 são carros, a BMW também é carro. Não é justo que você pague para ter uma BMW e receba um carro popular, só porque manifestou o desejo de comprar um carro.

    Todo cuidado é pouco!

    Estamos na época de maior volume de vendas, época natalina, e a ordem do mercado é vender e vender, com metas estabelecidas para gerentes de lojas e vendedores, sem maiores compromissos com ética, moral e preocupação com o consumidor.

    A HDTV, "High Definition Television", ou TV de alta resolução, é alguma coisa simplesmente fantástica e você precisa saber tudo e mais algumas coisas sobre ela, para não se deixar enganar.

    Vamos a algumas explicações importantes:

    TV de Plasma ou LCD?

    Você sabe o que é isto?

    De repente você entra numa grande loja e se depara com um montão de televisores ligados, lindos e maravilhosos, não mais aqueles televisores antigos com aqueles fundos enormes. Você vê um televisor com esta cara:

    HDTV 
    Pronto. Você vê, acha fantástico e quer comprar logo. Ouve falar em Plasma e LCD mas não tem a menor idéia do que seja isto. O vendedor, por sua vez, vai querer lhe empurrar aquilo que a loja tem mais em estoque, aquilo que talvez seja algum "refugo" ou algo que possibilita, a ele, uma melhor comissão. Tem o aspecto, também, de alguns fabricantes que oferecem um "por fora" para que os vendedores indiquem os seus produtos, principalmente quando encalhados.

    Mas você não vai comprar um equipamento para agradar ao vendedor, vai comprar o que é melhor para você.

    É por isto que eu vou dar as explicações das diferenças entre uma e outra tecnologia, para a sua melhor informação.

    Existem vantagens e desvantagens de um lado e de outro, mas se me perguntarem: "Qual tipo você compraria pra você, Alamar?"  eu respondo que compraria o LCD e não o Plasma.

    Mas, já que não é interessante que você tome decisão somente baseado na minha opinião pessoal, é importante que sabia os porquês:

    O TV de Plasma gasta bem mais energia elétrica que o LCD e a duração dele é bem menor que a do LCD. Em média, um TV de plasma vai durar de 5 a 6 anos, enquanto um LCD durará de 8 a 10 anos em sua casa.

    Tem outro aspecto a considerar: O plasma costuma marcar a tela com determinadas imagens que permanecem muito tempo estáticas. Deixe eu explicar o que é isto:

    Quando você assiste a programação da Globo, por exemplo, nota que o logotipo dela fica exposto na tela, durante a programação, o tempo todo. Fica ali meio discreto, mas fica. O mesmo acontece com a Record, Band, SBT e quase todos os canais.

    Pois bem: No plasma, a tendência é aquele logotipo ficar marcado ali naquele cantinho. Consta que nos modelos mais novos este problema foi resolvido, só que há determinadas marcas, famosas, que já pararam de fabricar televisores em plasma.

    Conforme você sabe, a nossa televisão continuará, ainda, por alguns anos, produzindo programas no formato 4x3, ou seja naquele formato quase quadrado (nem tão retangular assim) dos nossos televisores convencionais. Quando você compra um televisor moderno destes, no formato 16x9, ou seja, o formato de cinema (bem retangular), para ver esta programação normal, que é no formato 4x3 conhecido de todos nós, terá duas opções: Escolher no controle remoto se quer o canal ajustado à tela inteira ou se quer vê-lo no formato como está indo ao ao ar, que é o 3x4.

    Se escolher a tela inteira a imagem vai simplesmente alargar-se, as pessoas vão ficar mais gordas e tudo vai ficar mais esticado para os lados. Eu, particularmente, não aceito ver televisão desse jeito.

    Mas se escolher o formato normal, o que vai acontecer:

    O televisor vai ficar com duas colunas PRETAS em cada lado, porque a imagem ficará exposta no meio.

    Agora veja o grande problema: No plasma a tendência é o centro do televisor se desgastar mais, a luminosidade, brilho e contraste vão ficando mais fracos ao longo do tempo e você verá uma imagem não muito interessante, quando tiver que assistir a um DVD, ou mesmo o HDTV, com as partes laterais com mais brilho e luminosidade que o centro que já estará "mais gasto".

    No LCD isto acontece também, mas a incidência é incomparavelmente menor que no plasma.

    Tem outro detalhe: O televisor plasma esquenta bem mais que o LCD. Quando você vê um filme numa sala fechada, porque quer escurecer o ambiente, a diferença é notável.

    Um teste que você deve fazer na loja:

    O televisor de plasma tem a vantagem de que o telespectador pode ver a imagem, igual, de qualquer lugar da sua sala, não apenas de frente. Em alguns televisores de LCD as pessoas, quando sentam nas pontas do sofá, não verão o mesmo brilho que vê aquela que senta bem de frente.

    Por causa disto, quando for à loja, na hora de escolher, não se conforme em ficar olhando apenas de frente, vá para o lado, fique na diagonal e olhe para a imagem. Os modernos LCDs corrigem este problema, mas ainda há alguns modelos mais antigos que permanecem com ele.

    Em síntese: eu sugiro que você compre um LCD, que é o chamado cristal líquido, o custo benefício é incomparavelmente melhor.

    Não vá no papo do vendedor!!!!

    HDTV ou simples melhora de imagem?

    Você precisa decidir o que quer: apenas melhorar a imagem da televisão que tem em casa ou entrar logo neste universo do HDTV?

    Eu, se for comprar um televisor hoje, que não é barato, não vou conformar-me em apenas melhorar a minha imagem em casa.

    Vou querer comprar um televisor que me atenda no HDTV e quero exigir ver as 1080 linhas do HDTV!!!

    É aí que corre o perigo.

    Quando olhamos para a imagem de um televisor desses numa loja, geralmente ficamos encantados. Já que os gerentes e vendedores não são bobos, em princípio procuram colocar um excelente DVD para tocar, não no que diz respeito ao conteúdo, mas na imagem em si, às gravação em si, belas paisagens, imagens lindas do Rio de Janeiro, Nova York, Paris, lindas montanhas... etc...

    Aí a gente acha bonito, mesmo que a resolução seja de 480 linhas, que é a televisão convencional, porque não tem fantasmas, a imagem é bem gravada porque utilizou-se de câmeras excelentes e o televisor é novo.

    Agora, imagine quando lhe mostram uma imagem com 720 linhas, que é 50% a mais da qualidade de uma de 480, ainda mais quando gravada com excelentes câmeras, exibida a partir de um excelente DVD. A diferença será de 240 linhas a mais.

    Você achará a coisa mais linda do mundo. Eu também.

    Só que o HDTV é de 1080 linhas, ou seja, 600 linhas a mais e não apenas 240. Em comparação ao de 720 linhas, ele tem 360 linhas a mais que o de 720, que já achamos maravilhoso.

    Se comprarmos um televisor que nos proporcione assistir a 720 linhas, ótimo, muito bom; mas se for 1080 linhas é bem melhor.

    Então perguntemos: Por que nos conformar com 720 linhas se podemos ter 1080, sem que o preço seja maior?

    Por isto temos que dizer ao nosso presidente e a todos que estão fazendo esta propaganda enorme aí sobre esta televisão que instalaram no Brasil, que realmente é uma beleza, mas... Eu não quero apenas melhorar a minha imagem de tv, eu quero o verdadeiro HDTV.

    O entrelaçado e o progressivo - 1080i e 1080p

    Que diabo é isto, Alamar???

    Eu quero evitar linguagem técnica aqui, porque o meu universo de leitores não entende, obviamente, desta "coisa televisiva" e não tem porque complicar.

    Nessa coisa de número de linhas de um televisor ou monitor de computador, tem uma tecnologia que forma a imagem "entrelaçada" a que leva a letra "i", e a outra que forma a imagem "progressiva", que leva a letra "p".

    Quando você compra um televisor, o seu manual de instruções vem dizendo se ele é 1080i (que é o entrelaçado) ou 1080p, que é o progressivo. Tem também o de 720i e o de 720p.

    Não vale a pena aqui ficar explicando tecnicamente o que é isto e nem como um e outro funciona, o que acho que devo dizer é que o progressivo é muito melhor, ou seja, aquele que tem o "p" ao lado do número de linhas. Na hora de comprar, já sabe, prefira o progressivo, que tem 1080p. Se você encontrar numa loja dois aparelhos que têm os dois sistemas, peça para o vendedor mostrar um e outro que você verá a notável diferença.

    O ideal é que seja assim: 1080p por 1920 pontos por linha. 

    O SET-UP BOX

    É a tal caixinha tão falada, que você deve comprar para ligar no seu televisor comum.

    Em princípio, volto a falar o que eu disse no meu primeiro e-mail sobre este assunto: É mentirosa esta propaganda que andam fazendo por aí, iludindo as pessoas com a promessa de que se comprarem uma caixinha destas elas vão poder ver a televisão de alta resolução, ou HDTV, no televisor que já têm em casa.

    Conversa fiada, esse milagre não existe. A caixinha vai deixar, sim, a imagem da TV digital chegar ao seu televisor comum, mas a qualidade não será nunca superior a 480 linhas porque o televisor foi fabricado só para 480 linhas e não tem milagre. Melhora um pouquinho a imagem, sim, mas nada de alta resolução.

    Você espremeria uma laranja, apenas uma, em um litro de água, passaria aquele suco ralo por um equipamento qualquer e conseguiria transformar todo aquele litro de líquido em suco de laranja puro e consistente, como se fossem várias laranjas espremidas? Não tem como.

    Se o que você quer ver é a imagem em alta resolução, compraria esse tal set-up box pra quê? Só pra dar uma melhoradazinha? não vale a pena.

    O televisor só mostrará o HDTV se ele já tiver sido fabricado pronto para receber 1080 linhas, repito. Se for fabricado só para 720, não passará disto.

    Muitos televisores vêm indicando que trabalham com 480, 720i, 720p, 1080i e 1080p. Estes são os bons.

    Mas ainda tem outros alertas aqui!!!

    Fique sabendo que para o set-up box funcionar, mandando a imagem para o televisor, será necessário um cabo para fazer esta ligação. É como se você ligasse o velho vídeo cassete ou o DVD no seu televisor; não teria que ter aquele cabo que você liga um no outro? pois é, é assim.

    Se o televisor é comum, não tem entrada HDMI, que é a entrada digital, você vai ter que usar a analógica mesmo, com aqueles pluguezinhos do tipo que todos conhecemos, iguaizinhos aos que ligávamos o nosso velho vídeo cassete.

    Mas vamos que você já tenha comprado um televisor, de plasma ou LCD, que tenha a bendita entrada HDMI.

    Pronto, é lá que você vai ligar o cabo.

    Mas sabe quanto é que está custando um cabo HDMI deste, em média, em São Paulo?

    Me disse o meu amigo Padre Gennaro, que ele comprou um cabo na Rua Santa Ifigênia, em São Paulo, por 70 reais, mas tem muita gente vendendo na faixa dos 300 reais, só o cabo!!! Cuidado. É roubo mesmo.

    Este cabo não tem nada que custar tanto, só que muitos comerciantes não tem vergonha na cara e se aproveitam para explorar o povo, quando levado por algum tipo de empolgação e, sobretudo, no estado de ignorância ou pouca informação sobre o assunto.

    Temos informação de que o set-up box da Phllips já vem com o cabo e mais uma anteninha interna para o seu televisor, mas em compensação, consta que custa mais de mil reais.

    Afinal de contas, o lançamento foi sucesso em São Paulo?

    Embora eu esteja torcendo pelo HDTV, quero vê-lo funcionar bem o mais rápido possível, sou também de televisão porque esta é minha praia, tenho que dizer que, pelos relatos vistos pela grande São Paulo, o lançamento deixou a desejar. Foi uma frustração para muita gente.

    O que houve? incompetência dos engenheiros das emissoras de televisão?

    Não, nada disto. Muito pelo contrário, o empenho é total por parte de todas as redes, a empolgação é grande e todo mundo quer acertar. O que acontece é que trata-se de uma experiência nova, ninguém nunca fez isto no Brasil, a experiência foi em São Paulo, uma das regiões mais complicadas do mundo em termos de radiodifusão, tamanho o congestionamento do espectro (inúmeras ondas de rádio freqüência) em sua área. São Paulo tem rádio e televisão demais, tem celular demais, tem comunicação de tráfego aéreo demais, rádios de viaturas policiais demais... enfim, é uma localidade complicada.

    Queiram ou não as autoridades, mas as primeiras pessoas que adquiram estes equipamentos estão na condição de cobaias. É chato dizer isto, mas é a realidade.

     

    jerky

    Teve muita gente que viu a imagem assim, como você está vendo nesta foto aí ao lado esquerdo.

    Outros viram igual esta que está ao lado direito.

    Mas vai melhorar, com certeza.

    nosign

    Os técnicos das emissoras e os fabricantes dos transmissores estão fazendo os ajustes para que tudo fique bem. Não é motivo pra ninguém achar que não deu certo o HDTV no Brasil. Vai dar certo, sim.

    Outro alerta a moradores da Grande São Paulo

    Tem muitos camelôs vendendo antenas "milagrosas" por toda São Paulo, prometendo que vai fazer a sua TV digital ficar uma beleza. Eu vi vários deles pelas proximidades da Rua Santa Ifigênia, vi dezenas em cima do viaduto, onde há camelô vendendo de tudo. NÃO VÁ NA ONDA, porque nada daquilo presta. Fizeram umas montagens grosseiras com antenas comuns, botaram uns fios dourados para impressionar, envolveram num plástico e estão enganando muitos trouxas. CUIDADO.

    Outro cuidado que todo mundo deve ter, ATENÇÃO!!!!

    Uma amiga me disse que o filho dela está vindo dos Estados Unidos, voltar a morar no Brasil, e está trazendo um lindo televisor para ela, que já é HDTV. Ela pergunta se vai funcionar aqui no Brasil.

    Não vai funcionar não.

    Tem gente que já está se mobilizando para comprar no Paraguai, contratando os serviços dos muambeiros, mandar buscar na Europa, etc... Vai dar zebra.

    Todos devem saber que o sistema de HDTV instalado no Brasil é o sistema japonês, que é diferente do americano e do europeu.

    Quando a televisão colorida entrou no Brasil, algumas pessoas trouxeram televisores dos Estados Unidos, crentes de que funcionariam coloridas por aqui e não funcionaram. É que o sistema de cores americano é o NTSC e o do Brasil é o PAL-M. Funcionavam, sim, mas ficava tudo preto e branco.

    Algo semelhante acontece com o HDTV.

    Vamos responder a algumas perguntas

    Sobre a entrada HDMI

    Alamar, você disse no outro e-mail que o televisor autenticamente HDTV, que vem de fábrica como HDTV, não precisa de set-up box nenhum. Eu comprei um televisor deste, o meu já é HDTV, porque está escrito na frente dele e no manual, é também 1080 linhas. Mas ele tem a tal entrada HDMI, para ligar o set-up box.

    Se ele já é HDTV, precisaria daquela entrada pra quê?

    De fato, um televisor fabricado para HDTV já trás embutido o equipamento que faz o que o set-up box faz. Aquela entrada HDMI não é só para ligar set-up box, ela existe ali para você ligar DVDs, computadores e outros equipamentos que podem mandar imagens para o seu televisor, do mesmo jeito que os televisores antigos tinham aquelas entradas de vídeo composto, S-vídeo etc. Hoje já existe o Blue Ray, que é um novo tipo de DVD de alta resolução, que liga por HDMI.

    Veja o email que o amigo Padre Gennaro me mandou:

    Desculpe amigo, mas eu comprei um cabo HDMI numa loja da Sta. Ifigênia por volta de 70,00 (setenta reais).

    Eu tenho uma TV de plasma que tem cabo DVI, e você se esqueceu disso no seu discurso.

    Como eu tenho um Gravador de DVD  da LG que tem saída HDMI e tem resoluções de saída de 480, 720 e 1080 i. Portanto comprei um cabo de um lado HDMI e de outro DVI e ligo na minha TV e no DVD da LG com resolução 1080i e tenho imagem digital.

    Minha TV tem resolução de 1920 x 1620 ok.....

    Abraços Gennaro

    Aproveitando a sugestão do padre Gennaro, informo que existe também a conexão tipo DVI, que é também digital, é também de alta resolução, muito encontrada nos computadores e também em equipamentos de DVDs, conforme ele cita. Veja os manuais dos seus equipamentos. Se tiver esse tipo de entrada/saída, compre um cabo, como ele comprou, que tenha um conector DVI de um lado e um HTMI do outro.

    HDTV pela parabólica

    Eu tenho um receptor de satélite digital em minha casa. Estou tentando ver a Band e a Rede TV, que já estão transmitindo em HDTV, mas não consigo. O que devo fazer, tenho que trocar a antena, LNB ou fazer algum ajuste especial?

    Lembre que nem todo receptor digital necessariamente é HDTV. É necessário ter um novo receptor, próprio para HDTV e, tudo indica, você talvez terá que trocar o LNB da sua antena. Digo isto porque desses 20 milhões de parabólicas do Brasil, que está pensando que já vai ver HDTV, a gigantesca maioria, creio que mais de 90%, além de possuir receptor analógico, que nada tem a ver, ainda tem o que é pior: LNB simples, ou seja, não é LNBF.

    Nem os que possuem receptores digitais vão conseguir ver, já que a base é de receptores DVB-S.

    Não existe, ainda, receptores de satélite para HDTV a venda no Brasil, nem importado e muito menos fabricado aqui. Faço a mesma recomendação que fiz com respeito a importação de um televisor no padrão americano ou europeu. Se alguém quiser trazer de fora, para ver apenas a Rede TV e a Bandeirantes que estão com alguns programas e não toda a programação em HDTV, que procure um do sistema japonês.

    Consta que as diretorias da Bandeirantes e Rede TV estão em parceria com fabricantes, para que eles fabriquem receptores de satélites aqui e que já teremos na praça um modelo, logo em janeiro, ao preço de 400 reais. Acredito, sim, na disposição das duas redes de televisão para isto, só não acredito que a ganância dos fabricantes, principalmente de um famoso que existe por aí, vá querer vender um produto deste por apenas 400 reais, diante de tamanha empolgação da população. Eles querem é ganhar MUITOOOOO, o máximo possível.

    Agora, o que acho uma tremenda enganação é essa insistência em continuarem a dizer que os 20 milhões de usuários de parabólicas já podem ver a HDTV. Parece brincadeira. De fato, podem, desde que importem equipamentos, paguem os absurdos impostos e mandem instalar; do mesmo jeito que qualquer brasileiro pode ter BMW, desde que compre uma.

    Assinantes da SKY, NET, TVA, etc...

    Eu ouvi dizer que a SKY já está transmitindo digital. Eu, como assinante, já posso ver o HDTV adquirindo um televisor HDTV?

    Eu insisto em pedir para que as pessoas entendam que nem toda TV digital é necessariamente HDTV.

    O SKY sempre transmitiu tv digital, a NET e a TVA também. Só que o SKY via satélite e as outras via cabos.

    Primeiro vamos falar do SKY.

    Ela hoje transmite, via satélite, no formato chamado MPEG-2 para menos de 2 milhões de pessoas que possuem em casa receptores do tipo DVB-S. O sistema HDTV, via terrestre, é transmitido no sistema MPEG-4,  acredita-se que nas transmissões via satélite assim será também. Pelo menos a Band e a Rede TV estão transmitindo em DVB-S2 e só poderá ser recebido por usuários que adquirirem um novo receptor DVB-S2.

    A NET e TVA, também, possuem quase 2 milhões de assinantes, transmitem, pelo cabo ou pelo MMDS, no formato MPEG2, para pessoas que possuem em casa receptores preparados para este sistema.

    Você acredita que essas operadoras, cuja proposta de serviço é oferecer dezenas de canais, sabendo que só existem uns 4 ou 5 canais em HDTV, mesmo assim transmitindo alguns programas das suas programações e não todos, investirão tão alto, inclusive na produção de milhões de equipamentos, para trocarem no País inteiro, sabendo que a maioria dos seus canais continuará a fazer, durante muito tempo, programas no formato de TV convencional, ou seja, nas 480 linhas?

    Não posso afirmar, mas posso achar que talvez esta possibilidade demore um pouco mais.

    A interação com a programação da TV

    Eu comprei um televisor SONY, muito bom, para ver o HDTV. Ouvi dizer que o telespectador vai poder interagir com a programação da televisão. Explique como isto funciona e se já vamos poder utilizar desse recurso.

    De fato, a proposta da tecnologia do HDTV, além de oferecer imagem e som de alta qualidade é também proporcionar ao telespectador interagir com a programação ao vivo, na hora que ela está no ar.

    Isto quer dizer o seguinte:

    Faz de conta que está havendo um programa, ao vivo, onde estão discutindo a questão do aborto, quando entrevistam uma pessoa que é contra e outra que é a favor do assassinato do bebê no ventre materno. Aí a pessoa, que é contra, começa a dizer que a maioria da população é contra mas a pessoa, que é a favor, afirma que não, que a população é a favor...

    Com a interação, o apresentador poderá pedir ao público telespectador para que se manifeste, naquele exato momento, exibindo uma telinha no vídeo com duas opções do tipo Contra ou a Favor, ou com várias opções, do tipo "só em caso de estupro", etc...

    Com o seu controle remoto, sem se levantar do sofá, o telespectador vai poder manifestar a sua opinião e o programa terá o resultado da votação, não apenas por amostragem, como é o caso das pesquisas de opiniões, mas ouvindo as opiniões de milhões de pessoas, que terá um peso e uma credibilidade incomparavelmente maior.

    Vocês já imaginaram se tivesse isto na Venezuela, agora, nesta votação que o Chaves convocou e perdeu?

    Pois é. Para isto funcionar, é necessário que os televisores, ou os set-up box, estejam ligados à internet e que as emissoras já estejam fazendo programas para interagirem com o telespectador.

    Imaginemos, também, como vai ficar a cara de determinados políticos, quando estiverem dando alguma entrevista ou falando alguma coisa e de repente receberem uma manifestação de repúdio de milhões de brasileiros, ao vivo.

    Não poderão dizer que é intriga da oposição ou que é manifestação de apenas uma meia dúzia de elementos da "elite" e coisas parecidas.

    NÃO COMPRE E NEM TROQUE O SEU CELULAR AGORA!!

    Você poderá ver HDTV no seu celular

    Época de final de ano, todo mundo quer trocar um monte de coisas, inclusive o celular, atendendo a apelação da gigantesca propaganda que é feita no setor.

    Você entra numa loja, acha lindo aquele modelo novo, encontra "facilidade" na proposta de pagar em 10 vezes sem juros no cartão ou no cheque pré e compra.

    Sugiro não fazer isto agora, espere um pouco.

    As lojas vão querer queimar todos os seus estoques agora em dezembro, mas logo no início do ano tudo indica que começarão a aparecer no mercado os aparelhos que permitem assistir a TV Digital, que são simplesmente espetaculares.

    Eu já vi HDTV num celular, na última Feira de Televisão Broadcast, que participo todos os anos, ocorrida no Centro de Convenções Imigrantes em agosto deste ano. A Linear e a Telavo estavam fazendo transmissões experimentais de HDTV lá. (Mas eu falo em HDTV nas proporções de uma telinha de celular).

    A qualidade é algo impressionante e não tem nada a ver com essas imagens, de péssima resolução, que a gente grava nos telefones que têm câmeras. Apesar da telinha pequena, porque é de um celular, mas a nitidez e a perfeição é total. O som, nem se fala.

    O primeiro passo para isto já está dado, que foi a inauguração do HDTV no Brasil, no modelo japonês que permite isto.

    Os usuários poderão ver as novelas, os jornalísticos e outros programas, tranqüilamente, nas salas de esperas ou até no sanitário, em qualidade de primeira.

    Mas estamos diante de um perigo no Brasil, ainda referente a TV digital no celular!

    Consta que as operadoras de celulares estão querendo tarifar esse tipo de serviço que, tecnologicamente, não é para ser tarifado, porque esse tipo de aparelho recebe a TV como um receptor de rádio portátil ou mesmo uma televisão portátil. Não ocupa banda da operadora, não é ligação de telefone, não é tráfego de dados pelo sistema de operadora, não consome absolutamente nada da operadora, portanto não tem porque ela cobrar coisa nenhuma.

    Todavia vivemos em um país de muita gente sem vergonha e muitos políticos $afado$, não nos surpreendamos se esse "direito" for concedido às operadoras, do mesmo jeito que os deputados aprovaram, a favor da Febraban (os bancos, que fazem o que querem no País) uma lei de interesse deles que cerceia o sagrado direito de defesa do cidadão, previsto na Constituição.  

    Temos todos que ficar de "ôio" bem aberto, cobrando.

    O Ministro Hélio Costa, por exemplo, está reagindo energicamente a esta idéia, já denunciou na televisão este desejo mercenário das operadoras, ele não quer admitir, mas não decidirá sozinho. É óbvio que já estão tentando usar a força dos deputados que, realmente, são os que decidem. Todo mundo conhece o nível moral do nosso Congresso, não é?

    Em síntese, vale a pena deixar para trocar o celular depois. 

    CELULAR DESBLOQUEADO

    Esta dica é interessante. Se você for comprar um celular novo, exija um que seja DESBLOQUEADO.

    O que é isto?

    Quando você compra um aparelho diretamente em uma determinada operada, ele vêm com um chip dentro, bloqueando o aparelho para que você use somente aquela operadora. Obviamente eles querem o cliente só pra eles. Você tem um telefone da TIM e não pode usar um chip da Claro, da Vivo etc...

    Se o aparelho é desbloqueado, você pode usar da TIM, da OI, da Claro, da Vivo e de qualquer outra. É bem melhor, você fica a vontade, conforme as promoções apresentadas por cada uma em épocas diferentes e não se prende a ninguém.

    Você pode comprar um aparelho desbloqueado ou pode mandar DESBLOQUEAR o que você já tem, que significa apenas retirar o tal chip. Tem muita gente que faz isto, em São Paulo estão cobrando na faixa de 15 reais. 

    Por hoje é só, o e-mail tá grande demais.

    Abraços a todos.

    Mais informações sobre a TV Digital

    por Alamar Régis Carvalho, 2007/dez/03

     

    HDTV via satélite para 20 milhões de parabólicas. O set top box, a tal caixinha conversora. Esclarecendo mais dúvidas

    Há muita confusão e dificuldade de entendimento no País acerca do HDTV, a TV de alta definição, que foi lançada neste domingo, dia 2 de dezembro.

    Sobre a transmissão via satélite

    Foi divulgado, continua a ser divulgado, tem gente dando entrevistas em televisões e rádios, dando conta de que duas das grandes redes de televisão, no caso a Bandeirantes e a Rede TV, estão transmitindo em HDTV para todo o Brasil, via satélite, e que o público das 20 milhões de antenas parabólicas instaladas no País poderá receber essas programações em seus televisores em casa.

    Já que eu faço televisão, há mais de dez anos, falando exatamente para um universo enorme desse público, onde eu mais me tornei conhecido, estão chegando enxurradas de e-mails de gente querendo ver essa beleza e maravilha que é a TV de alta resolução em suas casas.

    Calma, gente, a coisa não é bem assim. Você não vai receber estes canais com o receptor de satélite que tem. Deixe eu explicar direitinho como a coisa funciona.

    Os donos e diretores destas conceituadas redes de televisão estão entusiasmados, e não é pra menos, eu também estaria, a iniciativa é boa e válida, mas talvez os seus técnicos não estão passando a eles como a coisa realmente funciona, talvez pelo momento de empolgação nacional.

    Primeiro - A esmagadora maioria desse gigantesco público usuário de antenas parabólicas possui receptor analógico em sua residência; ou seja, receptores que pegam apenas os tradicionais e velhos canais analógicos, mesmo sendo a Rede Globo, Bandeirantes, SBT, Record, Rede TV, etc... que durante muitos anos transmitiram no satélite Brasilsat B-1 da Embratel, que hoje foi substituído pelo moderno B-4.

    Receptor analógico nenhum consegue pegar qualquer transmissão de televisão digital. Desse universo de 20 milhões de antenas parabólicas, todas possuem receptores analógicos. Portanto, é preciso que as pessoas adquiram um receptor digital.

    Segundo - Ok, algumas dessas pessoas já ouviram falar do receptor digital de satélites, que existe há muito tempo, eu mesmo divulgo isto há alguns anos, porque transmissão digital de TV via satélite no Brasil não é coisa de hoje. Então essas "algumas", que são mais curiosas, já compraram e continuam comprando receptores digitais que vendem em apenas algumas lojas, já que, por incrível que pareça, é coisa rara de se encontrar no Brasil, embora com tanto tempo de existência, porque os próprios lojistas de eletrônicos das diversas cidades desconhecem. É impressionante, mas é a realidade.

    Consta que já existem no Brasil mais de um milhão de receptores destes nos lares de alguns. Bem aquém de 20 milhões de antenas, é claro.

    Este tipo de receptor barateou demais, nos últimos tempos, e pode ser comprado até por duzentos e poucos reais em São Paulo. Mas é outra história que eu explico mais adiante. Vamos com calma, porque é importante você entender bem como esta coisa funciona.

    Os receptores digitais de satélite

    Acho que todo mundo no Brasil já deve ter ouvido falar no Direct TV e no SKY. Pois é, aqueles receptores que são vendidos em grandes supermercados e shopping centers, que você faz assinatura, coloca aquela anteninha até na janela da sua casa ou apartamento e pega um montão de canais. Aquilo ali já é um receptor digital de satélite e já funciona há bastante tempo no Brasil.

    Só que tem um detalhe: O Direct TV, assim como o SKY, combinou com os fabricantes para que colocassem nos receptores um dispositivo qualquer que permitisse que o consumidor assistisse somente os seus canais, no satélite onde eles estavam, e mais nada.

    Pronto! quem comprasse um receptor, fazendo assinatura com o Direct TV, só poderia ver a programação do Direct TV; quem fizesse assinatura com o SKY, só poderia ver o SKY, como é hoje. Esse tipo de televisão chama-se DTH ("Direct to home"). A TECSAT também fez isto.

    Por causa destas restrições, eles são chamados de receptores digitais FECHADOS.

    Acontece que a tecnologia dos receptores digitais de satélites é ABERTA, para que os seus usuários assistam programações diversas de rádios e televisões, que estão em vários satélites, gratuitamente, independentemente de assinaturas.

    Daí o entendimento de que existem no mercado, também, receptores digitais de satélites, abertos, que as pessoas podem comprar, instalar em suas casas, ligarem uma antena e assistirem várias opções de tvs e rádios de graça.

    Creio que algumas pessoas vão me questionar:

    - "Mas Alamar, já que você disse que os receptores são aqueles mesmos do SKY e do Directv, então eu só poderei usar um receptor digital com uma anteninha daquele tipo?".

    Não, você pode utilizar, também, o mesmo receptor ligado na antena grande, aquela velha antena de alumínio, telada, enorme que fica em cima da casa dos vinte milhões de pessoas.

    Vou complicar um pouquinho, porque preciso explicar isto:

    Você usa a antena pequena, ou mesmo uma grande, desde que sejam totalmente fechadas (não podem ser teladas), quando a transmissão do canal pelo satélite seja através de um meio chamado banda KU.

    Acontece que essas milhões de antenas que existem no Brasil, são todas grandes e abertas, ou seja, as antenas teladas, que foram concebidas para pegarem as transmissões feitas no que se chama banda C, que era a tecnologia que a Embratel utilizava e ainda utiliza.

    "Que bom, Alamar, agora eu já entendi tudo. Então basta eu comprar um receptor de satélite digital destes, que você disse custar na faixa dos duzentos reais e pegar a TV de alta resolução, o HDTV? Beleza, sai bem mais barato que as tais caixinhas set up box!"

    Não. Ainda não é bem assim que a coisa funciona. É bom lembrar que nem toda TV digital é necessariamente HDTV, tv de alta resolução.

    Mesmo assim, tem outro fator que precisa ser explicado bem.

    Sei de um grupo, de São Paulo, que colocou no ar um canal de TV digital, preferiu descartar a consulta a um amigo especializado no assunto para ir na onda de determinados "entendidos" que disseram que se ele colocasse o seu canal através da Embratel, seria visto por todas as pessoas possuidoras de antenas parabólicas convencionais, aquelas do universo de quase 20 milhões.

    Não aconteceu nada disto. A maioria não vê.

    Ocorre que uma antena receptora de satélite não se resume apenas no prato da parabólica em si e sim no conjunto constituído por esse prato e um componente eletrônico chamado LNB, que é aquela peça que fica no meio da antena.

    A grande maioria das antenas instaladas no Brasil está equipada com o LNB SIMPLES, ou seja, o mais barato possível, aquele que todo mundo prefere comprar, pelo fato de ser mais barato, já que funciona bem para atender a sua necessidade de receptor analógico.

    O que é que as pessoas querem?

    - "Deu pra ver a Globo, o SBT, a Bandeirantes e a Record, pra mim tá bão".

    É o que acontece. Comprar um LNB-F, que é mais caro, pra que?

    Acontece que para funcionar um bom receptor de satélite digital, o LNB comum não serve e a pessoa tem que ter o tal LNB-F, que é outro tipo de tecnologia, outro equipamento. Não é tão caro assim não, mas tem que ter e as pessoas vão sempre pelo mais barato.

    Ah, sim. Agora que entendi de vez. Pronto, eu tenho esse tal LNB-F. Quando o cara veio instalar o meu receptor digital em casa, ele colocou um deste na minha antena, porque eu comprei. Posso então ver o HDTV?

    Ainda não. Há outros fatores a serem considerados.

    RECEPTORES PADRÃO DVB-S e DVB-S2

    Há uma diferença enorme nestes dois padrões, que as pessoas precisam saber para entenderem bem o que a Bandeirantes e a Rede TV estão fazendo.

    Eu poderia sugerir, agora, que os meus amigos comprassem o mais rápido possível um receptor de satélite digital, como eu venho sugerindo por todos estes anos, porque é a coisa mais espetacular do mundo, eu consegui fazer muitas pessoas felizes a partir do momento que indiquei e elas compraram e instalaram em suas casas, principalmente quando colocam um tal "motorzinho" embaixo da sua antena, que se chama rastreador de satélites.

    Mas já não posso fazer isto, por causa da evolução de tecnologia.

    Vou explicar:

    Os receptores de satélites digitais conhecidos por nós, os mesmos utilizados pelo SKY e Direct TV, bem como estes abertos que eu venho falando aqui, trabalham num padrão chamado DVB-S, que é aquele em que as televisões transmitem as suas programações comprimidas num formato chamado MPEG-2. Tudo digital, sem dúvida alguma.

    Não se preocupe com estas linguagens técnicas que eu estou usando aqui, tipo "comprimidas", "compressão", porque este entendimento será irrelevante para você entender o fechamento da explicação.

    Acontece que a tecnologia de compressão de imagem evoluiu e foi inventado um tal de MPEG-4.

    Pronto. Os receptores do padrão DVB-S, aqueles que eu disse que custa pouco mais de duzentos reais, não recebem o formato MPEG-4, já que foram concebidos para trabalharem com o MPEG-2.

    Daí se conclui o seguinte:

    A esmagadora maioria das pessoas usuárias de antena parabólica, que utilizam receptores analógicos (tipo rádio a válvula), não tem como receber o HDTV via satélite, porque os seus receptores são ultrapassados demais, ou seja, são analógicos.

    As pessoas que já estão avançadas, tendo adquirido receptores digitais, que já são mais de um milhão no Brasil, também não vão receber porque, em que pese serem receptores digitais, estão no padrão DVB-S.

    Sabe o que está acontecendo?

    A Bandeirantes e a Rede TV estão transmitindo já no sistema DVB-S2, porque estão utilizando já a tecnologia do MPEG4.

    Deu pra entender agora?

    Sem dúvidas, é uma excelente iniciativa e estão de parabéns estas duas redes de televisão. Eu estou adorando, mas as pessoas precisam comprar um novo receptor, que é o DVB-S2, mesmo assim preparados para receberem HDTV, que não é todo receptor, mesmo sendo DVB-S2, que recebe HDTV com a qualidade total, de 1080 linhas.

    "Beleza, Alamar. Eu quero comprar esse tal receptor digital DVB-S2. Não quero nem saber quanto custa, o que eu quero é ver o HDTV, a tv de alta definição, logo. Onde é que eu compro?"

    Aí que danou-se de novo. Em lugar nenhum do Brasil, porque ninguém está vendendo ainda.

    "Mas como não? o diretores da Bandeirantes e Rede TV não fizeram uma demonstração para o Ministro Hélio Costa, usando um receptor?"

    Sim, mas eles devem ter trazido algum do exterior, para fazerem a demonstração.

    Mas não nos preocupemos, porque já que esta tecnologia está sendo usada em nosso país, com certeza distribuidores e lojistas vão começar a importar os novos receptores, o governo vai incentivar a fabricação e montagem deles aqui no Brasil e não demorará para estarem à venda.

    O Ministro Hélio Costa tem razão

    Nós somos um país de muita gente sem vergonha, muita gente exploradora que não mede esforços em tirar proveito de situações.

    Não sei se você sabe, mas o Direct TV e o SKY tiveram que se unir numa só, aqui no Brasil, porque quase vão à falência, uma vez que esse tipo de televisão, que é o DTH, não deu muito certo por aqui, ou seja, não correspondeu às expectativas deles, que era a de ter mais de 10 milhões de assinantes em 5 anos. Foi um fracasso porque em mais de dez anos não conseguiu ultrapassar a 3 milhões. Um desastre mesmo.

    Mas por que isto aconteceu? O sistema não é bom? não funciona bem?

    Não, nada disto. Não deu certo por causa da ganância da cultura de muitos empresários brasileiros, que é o que está acontecendo agora, novamente, com as fabricações dos set up box.

    Quando se fabrica alguma coisa por aqui, o costume é querer ganhar logo trezentos por cento, quinhentos por cento, mil por cento ou mais DE LUCRO, logo de cara.

    É bem verdade que os altíssimos impostos cobrados pelo próprio governo também contribuem para que os empresários ajam assim, mas é uma realidade, infelizmente.

    O principal componente do "set top box",  a tal caixinha, custa pouco mais de 20 dólares lá fora, mas o pessoal aqui está querendo vender a 700 reais e até mais de 1000 reais. As opções de 400 reais são aquilo que se pode chamar de o mais vagabundo possível.

    A TV por assinatura, principalmente o DTH, deu certíssimo na Argentina, país aquele que, em que pese a população ser incomparavelmente menor que a do Brasil, existe muito mais gente que tem esse tipo de televisão em casa, pagando valores razoáveis e dentro das possibilidades populares.

    Ainda sobre os televisores que estão nas lojas

    Muita gente, mas muita gente mesmo, comprou o tal gato por lebre. Muitos amigos indignados e até gente levando loja ao PROCON. Tem um artista super famoso no Brasil, também meu leitor, que quer jogar a TV que acabou de comprar pela janela, de raiva.

    Entendamos o seguinte: As lojas querem vender, vender e vender; os vendedores querem faturar cada vez mais as suas comissões e não é todo mundo que tem compromisso com ética e bem estar do próximo. Todo cuidado é pouco.

    Quero aqui repetir que nem todo televisor digital necessariamente é HDTV. O fato de ser um plasma ou LCD não quer dizer que seja HDTV, o fato de ser um televisor grande, bonito, de 42 ou mais de 50 polegadas também não quer dizer que seja HDTV.

    O televisor HDTV não precisa de conversor nenhum, ela já vem de fábrica como HDTV e recebe direto o sinal das TVs, sem precisar de nada. Só mesmo a antena ligada nele.

    Geralmente os televisores HDTV têm a indicação de HDTV nos seus gabinetes e nos manuais. Não custa nada dar uma olhada.

    Nada de se conformar em ver um simples televisor de plasma ou LCD numa loja tocando um DVD lindo e maravilhoso, cheio de paisagens e belas imagens coloridos. Não há dúvidas de que a imagem de um DVD num aparelho novo deste é muito melhor do que aquilo que temos em casa, mas não podemos nos impressionar com isto porque a imagem HDTV é muito melhor do que a de um DVD, mas muito melhor mesmo, porque tem profundidade, tem mais vida, detalhes, nitidez... enfim, é uma coisa maravilhosa.

    Antes de ir no papo do vendedor da loja, entre no site do fabricante, da Sony, Panasonic, Sansung, Phillips e várias outras e veja quais os modelos que são verdadeiramente HDTV.

    Estará resolvido o problema.

    Conclusão

    Sugiro que ninguém se apresse, ainda, em comprar receptores digitais de satélite agora, porque, com certeza, os espertalhões vão querer ficar ricos do dia pra noite, aproveitando-se da empolgação de muita gente com esta tecnologia. Já deve estar começando a atracar os primeiros navios lotados de receptores DVB-S2 no porto de Santos. Todo cuidado é pouco.

    Outra coisa, ATENÇÃOOOOOOOOOO!!!!

    Já que na época de Natal, o brasileiro adora gastar, quer trocar tudo: geladeira, fogão, televisão e celular...

    Sugiro que não troque, ainda, o seu aparelho celular.

    Tem duas razões para isto:

    A primeira é para que não compre aparelhos presos a uma determinada operadora, para não ficar preso a ela. Exija aparelhos DESBLOQUEADOS, porque aí você pode usar a operadora que quiser.

    Segundo é que vão começar chegar os celulares que permitem você assistir o HDTV, coisa que é fantástica e maravilhosa.

    Vou escrever uma matéria só sobre o celular depois.

    Observação: Se você tiver a curiosidade de saber a quantidade de satélites que existe disponível para aquelas pessoas que possuem receptores digitais, com mais de mil canais de televisões e incontáveis emissoras de rádio do mais alto nível, consulte o site www.brasilsatdigital.com.br, que é dirigido pelos meus amigos Marcos Benni e o Gilson Teles (gilson@brasilsatdigital.com.br). Lá você terá todas as informações sobre este mundo via satélite.  

    Abraços a todos.

    December 11

    Chegou a TV de alta resolução, o HDTV Mas cuidado! Nem tudo é.

    por Alamar Régis Carvalho, 2007/nov/28

    Tá todo mundo indo na onda da TV de alta resolução, a chamada "TV digital"

    É preciso que as pessoas tenham cuidado e conheçam algumas coisas antes.

    Nem toda tv digital é necessariamente tv de alta resolução, ou seja, o HDTV que está sendo muito falado no Brasil. As pessoas estão vinculando esta expressão "TV Digital" exclusivamente com o HDTV e eu quero orientar bem: Todo HDTV é tv digital mas nem todo tv digital é HDTV, volto a repetir.

    Está todo mundo tendo a impressão de que TV digital é novidade no País, que surge agora, quando na realidade a tv digital já existe há um considerável tempo. Eu mesmo já coloquei no ar, por três vezes, o meu próprio canal de televisão digital, a Rede Visão de TV, via satélite para todo o Brasil, funcionando 24 horas por dia, sendo transmitida em digital e recebida por pessoas que possuem em suas casas aparelhos digitais de recepção de satélite. Era uma TV digital, mas não tv de alta resolução. Estou numa luta constante para voltar com este canal... Mas não é o que vem ao caso aqui agora.

    O importante neste momento, em época próxima ao Natal, é que muita gente está sendo enganada no Brasil, haja vista que o maior interesse do senhor Noel é que as pessoas comprem, comprem e comprem, mesmo que façam compras erradas.

    Semana retrasada um vendedor e um gerente de uma grande loja, em Santos, ficaram danados da vida comigo porque encontrei um amigo praticamente fechando negócio com um grande televisor e o fiz desistir, porque mostrei que ele fazendo uma compra equivocada.

    Imagino a quantidade de gente que está cometendo o mesmo erro em todo o País.

    Empolgado com as propagandas e as notícias da TV de alta resolução, ele resolveu comprar um novo televisor para a sua casa, de olho no HDTV, com objetivos de ver neste novo televisor a alta qualidade tão anunciada.

    De repente apontou um destes televisores de Plasma ou LCD que a gente vê nas lojas e foi logo dizendo: É este aqui!

    Calma, a coisa não é bem assim: Nem todo televisor de LCD ou de Plasma, é necessariamente um televisor HDTV.

    Entendamos bem esta nova tecnologia.

    Para podermos receber um programa verdadeiramente de TV em alta resolução, é necessário que:

    1) A emissora de televisão da sua cidade esteja transmitindo programação em HDTV. Para isto ela precisa comprar um novo transmissor, que não é barato, e todos os demais equipamentos em HDTV, como câmeras e um novo parque eletrônico.

    2) O seu televisor deve ser HDTV de fábrica, ou seja, já ter sido fabricado com esta qualidade. Já existem vários, embora poucos, equipamentos assim em algumas lojas.

    Saibamos todos que apenas algumas emissoras da cidade de São Paulo estão iniciando transmissões em HDTV no Brasil. Somente algumas, como a TV Globo, TV Record, TV Bandeirantes, SBT e Gazeta começam a a transmitir dia 2 de dezembro... as outras ainda não estão. Estes sinais chegarão muito bem nas casas das pessoas residentes na área chamada Grande São Paulo, cidades que são emendadas na capital, como a Região do ABCD, Guarulhos, Osasco, Taboão etc...

    Nem o Rio de Janeiro, o grande Rio, onde fica a matriz da Rede Globo, está começando ainda.

    Em algumas outras cidades, alguns donos de emissoras de TVs, com uma certa folga financeira, já estão conversando com fabricantes acerca da compra de transmissores de alta resolução, já que existem estes transmissores fabricados aqui no Brasil, como é o caso da LINEAR e da TELAVO. Mas não é a realidade da maioria dos donos de TVs, que vivem se queixando de dificuldades o tempo todo, donde se conclui que na maioria das cidades ainda vai demorar muito.

    Mas de repente alguém me pergunta: "Mas, Alamar, eu tenho o SKY na minha casa, e estou ouvindo falar na digitalização das TVs por assinatura, isto não quer dizer que terei o HDTV?".

    Não. É aí que está a confusão que muita gente tá fazendo. Digitalizar não significa necessariamente ser HDTV. As televisões DTH, como é o caso do SKY, não serão tão cedo HDTV, já que a mudança de sistema é caríssima, mas muito cara mesmo, e elas não têm a menor condição de, creio que dentro dos próximos 5 ou 10 anos, transmitirem em alta resolução.

    Primeiro porque recentemente, mesmo dentro deste padrão que estão, quase foram à falência, tendo que se juntarem o Direct TV e o SKY, no Brasil, para não fecharem. Eu, particularmente, acho que é pela ganância que sempre acontece em nosso país, onde todo mundo quer cobrar o mais caro possível por todo serviço que oferece. Na Argentina, por exemplo, a TV por assinatura, tanto a cabo quanto DTH, é o maior sucesso e todo mundo pode ter em casa, sem aperto nenhum. E aqui? qual a faixa de população que agüenta pagar de 100 a 150 reais por mês por assinatura de TV?

    Segundo porque, já que elas têm muitos canais, certamente eles teriam, também, que produzir os seus programas em HDTV. É claro que a grande maioria destes canais não vai poder fazer isto.

    Portanto, tiremos o cavalinho da chuva, que as TVs DTH e cabo tão cedo não serão HDTV.

    Mas vamos explicar onde está a grande enganação em nosso país

    Conforme está sendo percebido por todos, existe em nosso país aquela estratégica governamental do "agradar pobre a qualquer custo". Observa-se nas declarações dos políticos que a tv de alta resolução vai chegar para todas as pessoas, inclusive para os pobres.

    É papo furado! não vai chegar não.

    Mas, Alamar, não tem essa tal caixinha aí, que dizem que é só a gente comprar numa lojinha qualquer de eletrônica e ligar em qualquer televisor comum, que ele vira televisor de alta resolução?

    Mentira, conversa fiada. Este milagre é impossível de acontecer. Um televisor comum jamais será um televisor de alta resolução.

     

    tvcomum tvdeplasma 
    Este televisor nunca será HDTV A televisão de alta resolução terá sempre este formato, ou seja, o formato de cinema.

    Por mais que você veja numa loja um televisor, destes mais largos, em plasma ou LCD, o chamado formato 16x9, nem todos eles são HDTV, apesar de todos os HDTVs serem neste formato.

    Mas, de repente, você entra numa loja e vê uma demonstração de uma tal caixinha, cujo nome é "set-top-box" ligado num televisor, o vendedor diz que aquilo é tv de alta resolução, você termina acreditando porque percebe que aquela imagem é de fato bem melhor que aquela que você e eu temos em nossos televisores em casa, e fica convencido que HDTV é aquilo ali.

    Não é não. HDTV é bem melhor do que aquilo.

    Uma imagem de um bom DVD, ligado em um televisor de plasma ou LCD novinho, numa loja, mesmo em analógico, fica bem melhor que os nossos televisores de casa. 

    Mas uma imagem, verdadeiramente de alta resolução, com as suas 1080 linhas, é algo impressionante. Você percebe os olhos azuis de uma pessoa, por exemplo, como se fosse aquela jóia de vidro, bonita, com aquele brilho e tudo. Os fios de cabelos das pessoas são vistos com uma nitidez impressionante, assim como as peles, as texturas dos objetos, as coisas prateadas e douradas, os cromados e tudo isto.

    Cuidado! é aí que muita gente está se enganando e comprando gato por lebre.

    O set-top-box de fato melhora a imagem de um televisor, mesmo comum, porque recebe uma transmissão mais limpa, sem fantasmas, originalmente saída de câmeras de melhores definições e tem que chegar melhor sim, mas não é ainda o HDTV, repito.

    Vou explicar bem como funciona a ligação de imagens de outros equipamentos em seu televisor, partindo do princípio que muita gente já fez ligação do seu vídeo cassete ou do seu DVD para a imagem aparecer na TV:

    entrada_rf

    Quase todos os televisores comuns têm este tipo de entrada, que é chamada de RF. É nela que a gente liga a antena, onde entra imagem e som, juntos, pelo mesmo cabo. Podemos ligar o vídeo cassete no televisor por este tipo de conector.

    De todas as conexões, é que apresenta a PIOR QUALIDADE DE IMAGEM.

    entrada_composto2
    Esta segunda entrada, onde ligamos a imagem é chamada de entrada de vídeo composto. É menos ruim que a entrada RF porque, pelo menos, já não vem junto com o áudio (som) que, por sua vez, é ligado por outro conector.
    entrada_svhs_2 Esta é a entrada S-VHS, também chamda Y/C, que a imagem fica bem melhor que a ligada pela de cima, que é o vídeo composto.
    entrada_componente_1 Esta aqui é chamada de entrada componente, onde são necessários 3 cabos para ligar a imagem. Bem melhor que a S-VHS. É a melhor de todas estas entradas ANALÓGICAS que colocamos aí. Esta é uma entrada utilizada, profissionalmente, pelas emissoras de TV. Mas tudo aí é ANALÓGICO, e não digital.
    entrada_hdmi2 Esta, sim, é a chamada entrada HDMI, totalmente digital, para trabalhar com a imagem HDTV, a imagem de alta resolução. Se o televisor não tiver este tipo de entrada, ele não é HDTV de fábrica. Vai apenas quebrar o galho, mas não terá a qualidade total da alta resolução.

    Agora veja só o que acontece: Se o seu televisor só tem uma entrada RF ou entrada de vídeo composto, conforme eu mostrei acima, que milagre o governo pretende fazer para que a imagem de alta resolução chegue em um televisor comum? Televisores de 14 polegadas,  por exemplo, o que tem a esmagadora maioria do povo brasileiro, geralmente não vem nem com entrada S-VHS, quanto mais com entrada digital.

    Então que fique bem entendido: O televisor, para ser de fato HDTV, fabricado como televisor para tv de alta resolução, com as 1080 linhas de imagem, tem que ter esta entrada que é chamada HDMI.

    Você tem idéia de quanto custa só um cabo de HDMI destes, em São Paulo? Aproximadamente uns 300 reais. Dá pra encarar?

    E o governo ainda está com a conversa de que as caixinhas, que não são HDMI, cheguem ao "POVO", por 80 ou 100 reais. As de mais baixa qualidade estão sendo vendidas na faixa dos 400 reais, as que são mais ou menos, na faixa de 700 a 800 reais, as boas mesmo, ultrapassam de 1.000 reais.

    Agora, de que adianta você pegar uma caixinha desta e ligá-la no seu televisor com um cabo de vídeo composto, ou mesmo S-VHS?

    Portanto, todo cuidado é pouco na hora de comprar um televisor novo. Não vá na onda do Senhor Noel, porque o que ele quer é vender, vender e vender na época natalina e não está nem um pouco preocupado se você vai se beneficiar ou não com o produto que comprar.

    Para encerrar, para atender a muitos amigos que moram na grande São Paulo, que certamente me farão perguntas do tipo, vale ou não a pena comprar a tal caixinha, respondo:

    É claro que melhora, sim, a imagem e vale a pena. Você terá uma imagem de tv muito bonita, sem fantasmas, sem interferências e sempre estável em qualquer lugar da grande São Paulo, já que todos os testes de campos já foram feitos. Aconselho, inclusive, aos síndicos de edifícios a comprarem boas antenas de UHF e instalarem nos altos dos seus prédios, coletivamente; elas são baratas demais e não tem porque serem tão miseráveis em quererem aproveitar a velha antena coletiva, VHS, para sintonizarem estes novos canais. O sinal é tão bom que até as velhas coletivas VHS pegam, mas as que são UHFs pegam bem melhor.

    Comprar a caixinha é válido, sim, o que ninguém deve é se deixar enganar achando que com ela terão a beleza da tv de alta resolução.

    Um forte abraço.

    June 15

    Jardim de Infância - por Julinho Mazzei (Jun/2007)

    Tudo o que preciso realmente saber, sobre como viver, o que fazer e como ser, eu aprendi no Jardim de Infância. A sabedoria não se encontra num curso de pós-graduação, mas no montinho de areia da escola de todo o dia. Estas são as coisas que aprendi lá:

    Compartilhe tudo, jogue dentro das regras, não bata nos outros, coloque as coisas de volta onde pegou, arrume a sua bagunça, não pegue as coisas dos outros, peça desculpas quando machucar alguém, lave as mãos antes de comer, dê descarga após usar o vaso sanitário, biscoitos quentinhos e leite frio fazem bem para você, respeite o outro, leve uma vida equilibrada: aprenda um pouco, pense, desenhe, pinte, cante, dance, brinque e trabalhe um pouco todos os dias; tire uma soneca às tardes, quando sair, cuidado com os carros; dê a mão e fique junto, repare nas maravilhas da vida, lembre-se da sementinha no copinho plástico: as raízes descem, a planta sobe e ninguém sabe realmente como ou porque, mas todos somos assim.

    O peixinho dourado, o hamster, os camundongos brancos e até mesmo a sementinha no copinho plástico, todos morrem. Nós também.

    Tudo o que você precisa saber está lá, em algum lugar. A Regra de Ouro é o amor e a higiene básica. Ecologia, política, igualdade, respeito e vida sadia.

    Pegue qualquer um desses itens, coloque-o em termos mais adultos e sofisticados e aplique-os à sua vida familiar, ao seu trabalho, ao seu governo ou ao seu mundo e verá como ele é verdadeiro, claro e firme.

    Pense como o mundo seria melhor se todos nós, no mundo todo, tivéssemos biscoitinhos quentes com leite todos os dias, por volta das três da tarde pudéssemos nos deitar, com um cobertorzinho, para uma deliciosa soneca. Ou se todos os governos tivessem, como regra básica, devolver todas as coisas ao lugar em que elas se encontravam e arrumassem a bagunça ao sair?

    E é sempre verdade, não importando a idade: ao sair para o mundo, é sempre melhor dar as mãos e ficar junto.

    June 12

    Morrer para Nascer

    por Paulo Angelim, arquiteto, pós-graduado em marketing.
     

    Nós estamos acostumados a ligar a palavra morte apenas à ausência de vida e isso é um erro. Existem outros tipos de morte e nós precisamos morrer todo dia. A morte nada mais é do que uma passagem, uma transformação.

    Não existe planta sem a morte da semente, não existe embrião sem a morte do óvulo e do esperma, não existe borboleta sem a morte da lagarta, isso é óbvio! A morte nada mais é do que o ponto de partida para o início de algo novo. É a fronteira entre o passado e o futuro.

    Se você quer ser um bom universitário, mate dentro de você o secundarista aéreo que acha que ainda tem muito tempo pela frente. Quer ser um bom profissional? Então mate dentro de você o universitário descomprometido que acha que a vida se resume a estudar só o suficiente para fazer as provas. Quer ter um bom relacionamento, então mate dentro de você o jovem inseguro ou ciumento ou o solteiro solto que pensa poder fazer planos sozinhos, sem ter que dividir espaços, projetos e tempo com mais ninguém.

    Enfim, todo processo de evolução exige que matemos o nosso “eu” passado, inferior.

    E, qual o risco de não agirmos assim? O risco está em tentarmos ser duas pessoas ao mesmo tempo, perdendo o nosso foco, comprometendo nossa produtividade e, por fim, prejudicando nosso sucesso.

    Muitas pessoas não evoluem porque ficam se agarrando ao que eram, não se projetam para o que serão ou desejam ser. Elas querem a nova etapa, sem abrir mão da forma como pensavam ou como agiam. Acabam se transformando em projetos inacabados, híbridos, adultos “infantilizados”.

    Podemos até agir, às vezes, como meninos, de tal forma que não matemos virtudes de criança que também são necessárias a nós, adultos, como: brincadeira, sorriso fácil, vitalidade, criatividade, etc. Mas, se quisermos ser adultos, devemos necessariamente matar pensamentos infantis, para passarmos a pensar como adultos.

    Quer ser alguém (líder, profissional, pai ou mãe, cidadão ou cidadã, amigo ou amiga) melhor e mais evoluído? Então, o que você precisa matar em você ainda hoje para que nasça o ser que você tanto deseja ser?

    Pense nisso e morra! Mas, não esqueça de nascer melhor ainda!

    June 01

    A Teoria da Relatividade (Luciano Pires, 2007)


    Este artigo é de autoria de Luciano Pires (www.lucianopires.com.br) e está
    liberado para utilização em qualquer meio, contanto que seja citado o autor e
    não haja alteração em seu conteúdo.
     
    Um dos filmes que mais causaram impacto em minha vida foi “Em algum lugar no passado”, com Christopher Reeve, uma história de amor lindíssima, em que um escritor apaixona-se pela foto de uma atriz dos anos vinte. Uma paixão tão avassaladora que ele acha uma forma de voltar ao passado para encontrar a moça e viver uma história de amor emocionante. O filme é lindo, a trilha sonora é fabulosa e o tema, instigante: viajar no tempo. Quando Albert Einstein anunciou a sua Teoria da Relatividade, em 1905, viajar no tempo – pelo menos em teoria – deixou de ser algo impossível. Pois outro dia observei uma foto de um grupo de amigos na reunião de comemoração de 30 anos de minha formatura no colégio. Olhei aqueles senhores de cabelos brancos, gordos e carecas e imaginei o que aconteceria se a foto pudesse ser vista por eles quando tinham 16 anos. Já pensou? Você poder ir até o futuro e olhar onde estará, que rumo sua vida tomou?
    Imaginei então uma situação interessante. Alguém inventa uma máquina do tempo. E vai testar. Escolhe uma data aleatória – 1989, por exemplo – e aperta um botão. A máquina traz para o presente ninguém menos que Luis Inácio Lula da Silva. Aquele de vinte anos atrás. Lula chega meio zonzo:
    - O que é isso, companheiro?
    Sem entender o que acontece, Lula é recebido com carinho, toma uma água, senta-se num sofá e recupera o fôlego.
    - Onde eu tô?
    - No futuro, Presidente. Colocamos em prática a Teoria da Relatividade!
    - Futuro? Logo agora que vou ganhar do Collor, pô! Me manda de volta pro passado! Zé Dirceu! Zé? Cadê o Zé?
    - Calma, Lula. Aproveite para dar uma olhada no seu futuro. Você é o presidente da República!
    - Eu ganhei?
    - Não daquela vez. Mas ganhou em 2002. E foi reeleito em 2006!
    - Reeleito? Eu? Deixa eu ver, deixa eu ver!!!
    E então Lula senta-se diante de um televisor de plasma. Maravilhado, assiste a um documentário sobre os últimos 20 anos do Brasil. Um sorriso escapa quando a eleição de 2002 é apresentada.
    - Pô, fiquei bonito! Ué. Aquela ali abraçada comigo não é a Marta Suplicy?
    - Não, Presidente, é a Marisa Letícia.
    - Olha! Eu e o Papa! E aquele ali, quem é?
    - É George Bush, o Presidente dos Estados Unidos!
    - Arriégua! Êpa! Mas aquele ali abraçado comigo não é o Sarney? Com a Roseana? E o que é que o Collor tá fazendo abraçado comigo? O que é isso? Tá de sacanagem?
    - Não, presidente. Esse é o futuro!
    - AAAAhhhhhh! Olha lá o Quércia me abraçando! O Jader Barbalho! Cadê o Genoíno? Cadê o Zé Dirceu?
    - O senhor cortou relações com eles.
    - Meus amigos? Me separei deles e fiquei amigo do Quércia?
    - Pois é...
    - E aqueles ali? Não são banqueiros? Com aqueles sorrisos pra mim?
    - Estão agradecendo, Presidente. Os bancos nunca tiveram um resultado tão bom como em seu governo.
    - Bancos? Os bancos? Você tá de sacanagem. Sacanagem!
    - Calma, Presidente. O povo está gostando, reelegeram o senhor com mais de cinqüenta milhões de votos!
    - Mas não pode! Cadê os proletários? Só tô vendo nego da elite ali. Olha o Vicentinho de gravata! E o Jacques Wagner também! Mas que merda é essa?
    - É o futuro, Presidente.
    - E o Walter Mercado? Tá fazendo o quê ali?
    - Aquela é a Marta Suplicy, Presidente.
    - Ah, não. Não quero! Não quero! Não quero aquele meu terninho. Não quero aquele cabelinho. Não quero aquela barbinha. Desliga isso aí!
    - Mas Presidente, esse é o futuro. O senhor vai conseguir tudo aquilo que queria.
    - Não e não. Essa tal de teoria da relatividade é um perigo.
    - Perigo?!
    - É. As amizades ficam relativas. A moral fica relativa. As convicções ficam relativas. Tudo fica relativo.
    - Bem-vindo a 2007, Presidente.

    January 31

    A Hora da Saudade (por Julinho Mazzei, 2007)

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    Sim!!! Quando o assunto é música, sou uma cara muito saudosista. Afinal, quem não é!!! Quem não gosta de ouvir aquelas “pérolas” de Donna Summer, Gloria Gaynor, Joycelyn Brown, Vincent Montana, Sounds of Philadelphia e tantos outros? Eu sou também um daqueles caras que (com todo respeito aos muitos artistas e produtores atuais) adora ouvir arranjos onde o violino é realmente um violino e os metais e toda a orquestra são verdadeiros e não um simples teclado ligado numa “parede” cheio de módulos emuladores.

    Nas músicas antigas você pode ouvir claramente certas “falhas humanas” dos bateristas, de alguns elementos percurssivos e de outros músicos da banda. Essa “presença” humana (tão em falta nas produções de hoje) é muito necessária para que a música não vire uma coisa “robotizada” e sem alma. Não me leve a mal. Eu adoro ouvir a maioria das músicas atuais. Afinal, eu também sou um produtor!!! Tenho um estúdio cheio de módulos, teclados, baterias eletrônicas e outros equipamentos, mas tudo isso não se compara com um estúdio cheio de músicos de verdade tocando os seus próprios instrumentos, lendo as suas partituras e tocando com o coração!! A verdade é uma só, infelizmente não se faz mais música como antigamente.

    Com os grandes avanços tecnológicos dos computadores e dos programas aplicativos existentes (e baratos), qualquer um com um simples laptop e um teclado pode fazer música!! Isso é muito bom por um lado, mas como podemos simular instrumentos acústicos, de sopro e outras coisas mais complexas num computador? É impossivel!

    O meu grande professor e gurú de música Peter Fish sempre me ensinou que quando produzimos música, temos que ter muito cuidado de não deixá-la muito perfeita. As “falhas” e “atrasos” musicais de ritimo e de certos instrumentos são extrememante necessários para que a música não vire uma coisa artificial e sem alma.

    Por isso, seja bem-vindo a nossa Hora da Saudade onde o baterista tem braços de verdade, o baixista e o baterista tocam meio fora de tempo e todos os músicos são pessoas como eu e você que tocam com sentimento e muita emoção. Jamais nenhum computador poderá simular isso.

    Ahhh!!!…não podemos esquecer de apagar a luz e ligar a nossa “Disco Ball” pra criar o clima da época….enjoy the mix e Bon Voyage!!!

    Julinho’s “Hora da Saudade” Special Blog Mix

    August 30

    Melhorias Windows Vista (por Laerte H. Costa, 2006)


    Aqui está um pequeno artigo sobre o Windows Vista, o novo Windows que a Microsoft pretende lançar agora no inicio do ano de 2007, lembrando que a Microsoft atrasou por duas vezes o lançamento, então não será novidade se eles atrasarem novamente e nesse artigo vou dar uma pequena detalhada no Windows Vista e suas novas funcionalidades.

    Bom a Microsoft, com o lançamento do Windows Vista diz que vai revolucionar o mundo da informática, na minha opinião vai mesmo, já vi várias apresentações dele e está show de bola e as melhorias vem desde a aparência com o novo Windows Presentantion Foundation até na parte de segurança que está sendo o foco da Microsoft em todos os seus produtos.

    Como disse a Microsoft ela quer revolucionar o mundo da informática, mas para isso ela precisa evoluir seus componentes e para isso o Windows Vista vai ter uma nova "base" que é chamada de WinFX que consiste em 3 pilares:

    Windows Comunication Foundation - É a nova forma com que o Windows se comunicará com o restante do mundo, de uma forma mais ágil e segura.

    Windows Presentation Foundation - É a maior aposta da Microsoft para esse Windows, com essa nova base, recursos que antes eram ditos como "impossíveis" poderão ser feitos, principalmente com a plataforma AERO.

    Windows Workflow Foundation - Bom essa base é mais voltada para desenvolvedores, não vou entrar muito em detalhes, mas a grande ajuda dessa base é que serviços poderão ser seqüenciais, tendo uma melhoria na performance dos programas.

    Plataforma Aero

    A plataforma Aero como disse é a evolução de tudo que fosse esperado antes, esqueçam os conceitos de botões inanimados, coisas somente no 2D e essas coisas que deixam um site um pouco "morto", com o Aero, poderemos ver efeitos 3D incríveis, o Windows terá uma aparência de um jogo do mundo atual, vai ser a migração de um fusca para uma BMW, fazendo uma comparação a grosso modo em que todos entendam e tudo isso graças as novas placas de vídeo que possuem um poder inexplorável que só agora os sistemas operacionais poderão usar melhor.

    Melhorias por causa da Plataforma Aero

    Bom vou começar a citar aqui algumas melhorias no visual em por causa da Plataforma Aero:

    Miniaturas ativas na barra de tarefas

    Você antes imaginava em ver o conteúdo de um programa aberto, só passando o mouse por cima do programa que fica na barra de tarefas? Então pode imaginar, porque a partir do Windows Vista integrado com a plataforma AERO, você poderá ver o conteúdo daquela janela sem precisar maximizá-la, passando somente o mouse por cima do aplicativo.

    Windows Flip e Windows Flip 3D

    Bom para vocês terem uma pequena noção de quão poderosa é essa nova plataforma, até o famoso Alt + Tab, ganhou uma remodelagem fora do comum, com os efeitos Windows Flip e Windows Flip 3D, agora assim como na barra de tarefas você poderá ver o conteúdo da janela no Alt + tab, e ainda em 2 jeitos no Windows Flip em que você verá o conteúdo dos aplicativos um do lado do outro e a grande novidade ver as janelas abertas através do Windows flip 3D, em que elas ganham um novo jeito de aparecer e com efeitos fora do comum, literalmente em efeito 3D

    Esses são os 3 pilares que segurarão o Windows Vista e que trarão um enorme beneficio aos usuários

    Segurança no Windows Vista

    Bom um dos grandes focos da Microsoft como disse acima é a segurança, já que muitos tem o Windows inseguro e para isso ela está implementando vários recursos, em que vou abordar somente 2: Windows Defender e Contas de usuários

    Contas de usuários

    Um dos grandes problemas da Microsoft tinha em seu Windows anteriores era que as pessoas tinham o privilégio de administradores do PC e com isso se uma pessoa conseguisse acesso a esse computador, teriam plenos controles sobre o PC da vitima, pensando nisso, o Windows Vista terá 2 usuários, o usuário administrador e um usuário comum, sem privilégios, uma grande vantagem, mas você deve estar se perguntando: "se eu vou ter 2 contas de usuários toda vez que eu ter que instalar um programa ou mexer nas configurações do meu PC, eu vou ter que efetuar logoff e logar com a conta de administrador?" a resposta é não. A Microsoft pensando nesse possível problema, pensou em uma maneira prática e rápida, toda vez que você tiver que mexer em alguma coisa que requer privilégios de administrador, o Windows apresentará uma tela em que ele dirá "isso requer um privilégio de administrador, tem certeza que quer executá-lo?" se caso queira, ele te pedirá o seu usuário e senha da conta administrador se caso contrário, bloqueará essa execução, uma grande vantagem já que hackers e pragas virtuais vão ter mais trabalho para poder faze rum estrago maior em seu pc, já que você estará logado com a sua conta de usuário sem privilégios.

    Windows Defender

    Bom o Windows Defender é para quem conhecia o antigo anti-spyware da Microsoft, mas com recursos melhorados e muito mais eficaz e será embutido junto com o Windows Vista, resumindo você terá um ANTI-SPYWARE <--- isso significa que você ainda estará vulnerável a vírus, que te trará uma melhor segurança e confiabilidade, fora que o Windows defender e de fácil manejo e atualização e o mais importante, não consome muitos recursos da máquina, é um software bastante leve.

    Bom como vocês podem ver o Windows Vista vem com recursos bastante interessantes e olha que eu nem citei todos, pq são muitos, mas muitos mesmo, um exemplo e o novo Internet Explorer e a melhoria na organização dos arquivos e por buscas, então esperem e aguardem que o Windows Vista chegará em 11 versões que são:

    Windows Vista Starter
    Windows Vista Home Basic
    Windows Vista Home Premium
    Windows Vista, Business
    Windows Vista Enterprise
    Windows Vista Ultimate

    Você deve estar se perguntando, eu disse que são 11 versões e só listei 6 é que todas as versões exceto a starter tem tanto versões para 32 bits e 64 bits, então 5 versões sendo uma versão para plataforma 32 e uma versão para 64 bits, totalizam 10 e somente a versão Starter é que possui somente versão para 32 bits, totalizando 11 versões.

    Requisitos mínimos

    Agora vem a parte chata, os requisitos minimos que o Windows vista precisa para rodar:
    Um processador com no mínimo 800MHz.
    512 MB de memória do sistema.
    Processador gráfico (GPU) compatível com DirectX9.

    Configuração recomendada:

    Processador com 1 GHz ou mais, 32 bits (x86) ou 64 bits (x64).
    1 GB de memória do sistema.
    GPU compatível com Windows Aero*.
    128 MB de memória gráfica.
    40 GB de capacidade de armazenamento em disco rígido com 15 GB de espaço livre.
    Unidade de DVD-ROM (externa ou interna).
    Recurso de saída de áudio.
    Recurso de acesso à Internet.

    Requisitos do Windows Aero:

    Processador gráfico classe DirectX9 que ofereça suporte a:
    Driver WDDM.
    Pixel Shader 2.0 em hardware.
    32 bits por pixel.
    Memória gráfica adequada.
    64 MB de memória gráfica para suporte a um único monitor com menos de 1.310.720 pixels
    128 MB de memória gráfica para suporte a um único monitor com resoluções de 1.310.720 a 2.304.000 pixels
    256 MB de memória gráfica para suporte a um único monitor com resoluções maiores que 2.304.000 pixels

    Bom coloquei só algumas melhorias que eu acho as melhores, breve colocarei as outras novidades e os recursos mais avançados.

    Crônica de uma paixão digital (New York Magazine, 1993)

    O jornalista Eric Pooley conta como foi
     seduzido pelo novo mundo dos computadores
     e se tornou mais um usuário apaixonado

     
                    De algum lugar nas profundezas do meu computador, Groucho Marx insiste em me chamar de banana - "Só um momento, banana", diz ele -, e isso não seria tão perturbador se eu não aumentasse a suspeita, cada vez mais forte, de que Groucho está certo. Em meu escritório doméstico, tento decidir que tipo de letra usarei para escrever este artigo (Times New Roman? Century Gothic? Talvez Madrone, que o catálogo de fontes descreve como grande e bold, com um toque de Velho Oeste). O tipo que eu indicar aparecerá, no tamanho que eu escolher. Ao meu lado, impõe-se, poderoso, o meu Tri-Star 486DX2/66VL, um dos micro computadores mais rápidos do mercado, uma máquina com mais memória e poder de processamento que um armazém cheio de mainframes IBM.

                    Dentro do Tri-Star, uma placa gráfica de 24 bits envia imagens fotorrealistas para a tela. Uma placa de som estéreo e alto-falantes externos permitem que meu computador fale comigo, e uma placa fax/modem,  interna,  possibilita-lhe  conversar com os outros, também. Um scanner de mão me garante a cópia fiel de texto e imagens na memória, e um drive de CD-ROM transforma meu equipamento - que comprei pelo correio, por algo em torno de 5.000 dólares - em um micro multimídia, a mais nova expressão vocabular da indústria da informática. Convém esclarecer aos não-iniciados que CD-ROM é um CD player que, além de sons, trabalha com texto e imagens. Graças a essa aquisição, minha filha controla a seu bel-prazer livros de histórias animadas para computador e minha mulher, consultora de tecnologia para a educação, entra em contacto com os últimos lançamentos de sua área. Eu, de meu lado, posso percorrer livremente enciclopédias inteiras .

                    Só que não trabalho. Não tenho mais tempo para trabalhar. Não executei uma tarefa sequer desde a chegada dessa máquina, supostamente destinada a aumentar minha produtividade, seis meses atrás. Os resultados de uma pesquisa indicam que os americanos que usam computadores pesadamente perdem 5,1 horas por semana configurando sua máquina. Ou seja: 25 milhões de pessoas desperdiçam 6 bilhões de horas por ano.

                    Nem sempre fui um idiota computadorizado. Na verdade, até poucos meses antes, estava bem contente com meu Leading Edge Modelo D, um clone sul-coreano de 1985 com uma tela âmbar que tremia um pouco e um raquítico disco rígido. Ficava em um canto do meu apartamento e dava conta do trabalho de uma máquina de escrever, poupando-me do cansaço de digitar. Era tudo de que eu precisava. Mas os tremores do meu monitor tornaram-se cada vez mais frequentes e ganharam a aparência de pequenos terremotos. Passei a ter dores de cabeça e acabei pedindo a meu irmão alguns conselhos sobre uma nova máquina a comprar. Estava esperando uma resposta simples, como a indicação de uma marca. Compaq, por exemplo. Já sabia que tudo que teria de fazer seria me dirigir a uma loja e levar o equipamento para casa. Mas Chris me respondeu com um de seus sorrisos tênues. "Tenho algo a lhe mostrar" , disse .

                    Estávamos tomando café na mesa da cozinha. Ele se levantou e, ao voltar, trazia nas mãos a Computer Shopper, uma revista mensal de 1000 páginas e 2 quilos. Abri a publicação, comecei a folheá-la e percebi que me lançara numa feira, um bazar high-tech no qual os vendedores diziam coisas como "386SX ! ", "486DX/50 ! " e se comunicavam em uma estranha linguagem que incluía expressões como placa-mãe, placas de áudio, tubos de vídeo, monitores maiores que o armário da minha avó, mais uma série, imensa, de vocábulos obscenos: de palmtops e PC de bolso a notebooks, desktops e torres verticais como o obelisco no filme 2001 - Uma Odisseia no Espaço .

     
    DESCONTOS

                    Para olhar de perto para esses bebezinhos, eu não deveria me dirigir a uma loja, porque a maior parte deles não era comercializada em lojas. Além disso, a maioria das revendas de informática - inclusive aquela onde eu adquirira meu micro antigo - tinha sido expulsa do mercado em função dos descontos de volume e dos baixos custos operacionais das empresas de vendas pelo correio, além dos próprios fabricantes que anunciam em Shopper. A edição de janeiro tinha 721 páginas de anúncios de centenas de fabricantes dos quais nunca ouvira falar (Gateway 2000, Twinhead, Whitefox), alguns deles em seqüências de até dez páginas coloridas. Apaixonei-me pelos anúncios: ofertas para revisão de equipamentos de tirar o fôlego, fotografias que transformavam os computadores em verdadeiros fetiches, títulos a um só tempo acessíveis e enigmáticos: "Nosso sistema EISA livra as portas das dobradiças ! ! ! "; "Incremente seu vídeo incorporando 40 milhões de WinMarks! ! ! ! ".

                    Fui fisgado mais ou menos na quinquagésima página - e então me transformei em um aficcionado, um ávido tecnófilo que não se deixava abater por sua falta de conhecimento quase total . Eu queria uma CPU formidável, uma memória cache sem espera, um subsistema de vídeo com 16,7 milhões de cores excepcionalmente vibrantes, cores que fariam o Windows cantar. Queria desesperadamente, apesar de não saber com segurança do que se tratava. Queria um micro multimídia com um CD-ROM e um scanner que, ao preço de 600 dólares, poderia fazer dos meus envelhecidos arquivos de reportagens de Times um banco de dados de pesquisa e recuperação de informações. E isso sem falar de alguns WinMarks. "O que é um WinMark?", perguntei ao meu irmão. "Não estou bem certo", respondeu ele . "Bem, acho que preciso de pelo menos 25 milhões deles."

     
    BELEZA GRÁFICA

                    Os garotos com frequência se deixam seduzir pela tecnologia. Mais jovem, encantei-me por equipamentos de som e não me surpreende que uma nova paixão aconteça em minha vida. As exigências dos aficionados por computadores, como velocidade perfeita e beleza gráfica, são, de fato, equivalentes à busca pela impecabilidade do som: inatingíveis, irritantes e caras. Com os micros, pelos menos , os preços caem o tempo todo. A marcha tecnológica, aliada a uma viciosa guerra de preços, está colocando um poder capaz de confundir a mente humana ao alcance das mãos. Um sistema que custasse 6.000 dólares há dois anos não custaria mais de 3.000 dólares hoje. O que se adquiria por 5.000 dólares em dezembro está custando cerca de 4.000 agora em maio, graças ao lançamento do Pentium, que tira o chip do meu computador do posto de CPU mais quente do momento.

                    Muitas pessoas tornam-se frenéticas nesse estranho mundo novo, mas jamais encontrei alguém que se deixasse contaminar desse mal tão rapidamente. Agilizando o processo de aprendizagem a ponto de reduzi-lo de um ano para um mês, interroguei toda e qualquer pessoa que tivesse adquirido um micro na década de 90. Assinei um serviço de informações on-line chamado CompuServe, de modo a armazenar os últimos guias de usuários em meu computador antigo. Passei horas ao telefone, conversando com amigáveis vendedores de uma dúzia de empresas, vasculhei revistas especializadas, recortando anúncios e anotando observações em suas margens, espalhando coisas pelo sofá, pela escrivaninha, pela cama, colando recados nas principais passagens da casa.

                    Minha sórdida história pode ensinar muito para qualquer pessoa que deseje comprar um computador sem precisar enlouquecer por isso. Vou contar o que aprendi - de uma maneira não muito pessoal nem muito resumida - sobre o que as máquinas podem fazer. E vou falar também do sistema dos meus sonhos, é claro. Verdadeiros equipamentos de mesa high-end são supercomputadores fabricados por companhias como Silicon Graphics e Kubota Pacific. Nenhum usuário doméstico precisa de máquinas com esse poder de fogo - e de qualquer modo os micros padrão IBM estão atingindo desempenhos bem próximos aos delas porque o Windows exige uma boa capacidade de processamento para rodar bem, mesmo se tudo que se tem a fazer é escrever uma carta a tia Kate.

                    O Windows tem de trabalhar duro para parecer simples. A interface gráfica apoia-se, na verdade, sobre o antigo DOS, que não processa muita informação ao mesmo tempo. Um programa que está para ser lançado, o Windows NT (New Technology, ou Nova Tecnologia), vai dispensar o DOS. Por enquanto, as capacidades de interface e multi tarefa do Windows requerem um micro com muita velocidade e memória para resultar em um bom desempenho (o programa simplesmente acabou com milhões de equipamentos menos velozes, que se tornaram obsoletos com o seu aparecimento). Em um micro não muito poderoso, o Windows torna-se lento - e ao usuário cabe sentar-se e assistir por cerca de uma hora à imagem de um único ícone, uma ampulheta indicando que o sistema está ocupado.

                    Odiei aquele ícone na primeira vez em que o vi, rodando o Windows em uma das poucas revendas de informática que sobraram no centro da cidade. Em dúvida com relação a comprar pelo canal direto - não é fácil pagar 4.000 dólares a uma empresa da qual nem sequer se ouviu falar até há poucos dias -, fui à Rockwell Computer,  na esquina da 39. Avenida com a Madison. Experimentei um Compaq que não era particularmente poderoso e perdi muito tempo em frente à tela, contemplando  placidamente a ampulheta. Quando solicitei à máquina que saltasse de uma janela para outra, ela hesitou. Eu não queria uma máquina que hesitasse. A Compaq faz, naturalmente, micros bem mais rápidos,  mas a Rockwell não os tinha ali. E os preços da loja não se mostravam nem um pouco competitivos na comparação com as empresas que entregam pelo correio.

                    Fiz um amigo na Rockwell - o monitor NEC 5FG, um dos mais inspirados projetos dos anos 90. Nele, uma grande caixa plástica contorna a tela de uma forma especialmente bonita e a tela é simplesmente deslumbrante: tem quase 45 centímetros de diagonal. É preciso ter uma tela ampla quando se trabalha com diversas janelas ao mesmo tempo. Peguei um material impresso da NEC e levei-o para casa. Uma vez que as revendas não me diziam muito, eu teria de conhecer os vendedores do canal direto por telefone - e, diferentemente do pessoal da  Rockwell, eles se mostraram tremendamente encantados com o universo dos computadores. Pareciam orgulhosos dos sistemas que vendiam e felizes em explicar suas qualidades. Acabaram conversando comigo sobre suas comunidades terapêuticas de Natal, perguntaram-me se era verdade o que ouviam a respeito de Nova York e me apresentaram o misterioso SCSI (Small Computer System Interface, ou Interface para Pequenos Sistemas de Computador), uma poderosa maneira de ligar acessórios ao micro.

     
    CONSUMISMO EXAGERADO

                    Notei que deveria estar atento aos estímulos dos vendedores para tornar as máquinas mais quentes - mais e mais poder, mais e mais preço. Era exatamente o que eu queria. Telefonei, então, a alguém que entendia as minhas questões: meu amigo Gil Schwartz, um destemido aficcionado pelos computadores que escreve para a PC Computing e para a New York. Ele sabe tudo sobre o canal direto. "Como vai, Gil?", comecei. "Oh, estou cansado. Fiquei acordado até as 2 da manhã, mexendo com meu arquivo WIN.INI." Gostei do tom dele e dei prosseguimento à conversa. "Tenha cuidado", avisou-me. "Você pode acabar caindo no consumismo exagerado." Era um conselho que ele dava desde a época em que foi fundo na sua paixão pela informática. "Isso é profundamente verdadeiro", comentou em voz baixa. "Estou ansioso por possuir todos os softwares que já foram feitos."

                    O que eu precisava era de informações sobre hardware. Schwartz recomendou uma empresa chamada Tri-Star, em Chandler, Arizona, que inaugurou um nicho de mercado de workstations gráficas destinadas a pessoas que trabalham com CAD (Computer-Assisted Design, ou Projeto Assistido por Computador). Meu amigo afirmou que a Tri-Star produz as máquinas mais rápidas e sólidas, atende ao telefone quando o usuário tem um problema a resolver e configurar todos os sistemas que comercializa, harmonizando hardware e software de modo a evitar dores de cabeça para o cliente. "Comprei um equipamento deles há três anos, mas já estou precisando de um novo", contou-me. E disparou: "Compre o micro mais poderoso e o maior disco rígido, porque do contrário o seu computador se tornará obsoleto logo, logo".

                    Quando expandi a rede telefônica que havia montado para saber mais sobre micro computadores e procurei também os editores de revistas especializadas, descobri a história do canal direto de vendas. Aprendi que minhas preocupações em torno de entregar um monte de dinheiro a uma empresa desconhecida e localizada a milhares de quilômetros da minha casa tinham alguma razão de ser. "Por muitos anos comprar pelo canal direto não foi a maneira mais confiável de adquirir produtos de informática", disse John Dickinson, editor-chefe da Computer Shopper. "Viam-se muitos produtos de segunda, máquinas de baixa qualidade, serviço ruim e gente desonesta." Para não esquecer, tomei nota da precaução de comprar com cartão de crédito, para poder suspender o pagamento se alguma coisa não der certo.

     
    VENDAS DIRETAS

                    Mas Dickinson me contou também que as coisas começaram a mudar em 1986, depois que Michael Dell, um estudante da Universidade do Texas, deu o start up à sua empresa de vendas diretas. Adquirindo partes dos equipamentos montando-os, começou a vender pelo correio - e oferecia micros nos quais se podia confiar a preços baixos e com bom suporte técnico por meio de uma hot line com discagem gratuita. Em 1987, ele agregou valor aos produtos: passou a garantir assistência técnica gratuita no caso de qualquer falha dos computadores da Dell, em todo o território americano. "Isso modificou completamente o perfil do canal direto", comentou Dickinson. "É claro que ainda há trapaceiros no mercado, mas as pessoas já compram máquinas de qualidade sem precisar preocupar-se com eventuais defeitos."

                    Em 1990, as vendas do canal direto explodiram na medida em que as corporações, afetadas pela recessão, passaram a prestar mais atenção nos clones - e a adquiri-los sem medo de estar levando gato por lebre. Segundo a InfoCorp, os americanos destinaram 9 bilhões de dólares à aquisição de computadores e software pelo correio, e isso representa quase um sexto do mercado total dos Estados Unidos.

                    Desde 1990 os fabricantes de micros de primeira linha estão travando uma batalha de preços que forçou os produtores de clones a baixar também os seus - a queda é de 25% ao ano, em média. No verão passado, a Compaq deu início a um round particularmente agressivo, ao qual a Dell foi a primeira a responder. A IBM logo a seguiu e, depois, todos os concorrentes. Esse round ainda não terminou. Em 1992, os preços caíram em torno de 35%. As margens de lucro dos produtores de clones, que antes correspondiam a cerca de 17% por máquina comercializada, não superam os 5% hoje em dia. Na disputa, os mais frágeis acabam equilibrando-se sobre a corda bamba.

                    Atualmente, os cinco maiores fabricantes de micro computadores - Apple, IBM, Compaq, NEC e Dell - controlam 40% do mercado mundial, que movimenta 46,5 bilhões de dólares. Outras quarenta empresas dividem 35%, e milhares estão brigando pelos 25% que restam do bolo. Nenhuma delas fatura mais que 1% do total. A IBM já teve 41% do mercado americano e 28% do mundial - hoje, suas vendas correspondem a 18% do faturamento da indústria de computadores nos Estados Unidos e 12% no mundo. Em fevereiro, as primeiras demissões atingiram a sede da companhia, em Armonk, em uma ação que faz parte de uma redução de quadro que pode cortar 50.000 empregados internacionalmente.

     
    MANIA DE LIMPEZA

                    Em minha busca, afastei-me das grandes companhias e procurei vendedores de pequeno porte com resultados alvissareiros. O suporte técnico era prioritário para mim, e optei pelos anúncios que destacavam esse aspécto. O da Ares, empresa de Detroit que ganhou fama graças à reputação de ter mania de limpeza pela forma como projetava o interior de suas máquinas, o da Standard, a primeira companhia a usar o termo WinStations, e o da Tri-Star chamaram particularmente a minha atenção. Liguei para o pessoal de vendas e fiz cotação dos subcomponentes dos sistemas, preenchendo as colunas de um caderno contábil. Ao final, concluí que o sistema que gostaria de ter, com todos os acessórios que escolhi, custaria algo em torno de 4.000 dólares. Bem mais, é lógico, do que pretendia gastar.

                    Queria um PC o mais próximo possível de um Mac - completamente configurado, com som, vídeo, CD-ROM e softwares já instalados. Não pretendia sofrer para fazer a coisa funcionar, mas cada componente teria de ser o melhor entre todos os concorrentes, até porque muitos equipamentos multimídia chegam ao consumidor com componentes de baixo nível. A Ares, por exemplo, vendia um drive de CD-ROM da SONY com uma transferência de 150kilobytes, o que pode parecer bom, mas, na prática, significa que clicar o ícone da biblioteca resulta em uma longa espera pelo Thesaurus. A Standard e a Tri-Star me ofereceram o drive da Texel, duas vezes mais ágil que o da SONY, dobrando a transferência.

                    Isso Excluiu a Ares, deixando a Tri-Star e a Standard sozinhas no páreo pelos meus dólares. Eu sabia que ambas as máquinas seriam rápidas, que as duas empresas seriam capazes de me oferecer uma assistência técnica de primeira linha e tinham um suporte bárbaro - um ano de visitas técnicas gratuitas na eventualidade de aparecerem defeitos, dois anos de reposição e reparo gratuitos para os componentes, a garantia de poder ter meu dinheiro de volta em até trinta dias e help telefônico pelo resto da vida. A Standard oferecia um disco rígido mais amplo, o que implicava maior capacidade de armazenamento, e um número maior de softwares embutidos, mas eu não conhecia ninguém que já tivesse comprado da empresa, e o meu amigo Schwartz tinha ficado satisfeito com o seu Tri-Star por três longos anos. Mas a questão, na verdade, era esta: a Tri-Star me enviaria um equipamento com um monitor Hitachi SuperScan, de 17 polegadas. Eu queria o maior.

                    No início de janeiro, um pouco antes de o meu Tri-Star estar pronto para entrega, peguei a edição de lançamento da revista Windows Sources e, depois de dar uma olhada nos anúncios, encontrei uma análise de desempenho do sistema que havia adquirido. Era um concorrente poderoso na guerra do Windows, o rei da performance gráfica. Simmmmm! Cem páginas depois, porém, deparei com a análise do monitor da Hitachi, que, de acordo com a revista, tinha problemas sérios: "A curvatura horizontal pode ser incômoda... É difícil justificar a compra desse monitor". "Nãooooo!", gritei para Pam, minha mulher. "Que houve?" "O monitor tem curvatura horizontal", retruquei. "Nossa, que horrível." Nenhum de nós sabia o que era curvatura horizontal (uma pequena distorção da imagem na tela, como eu aprenderia pouco tempo depois), mas conhecíamos o sentido exato de incomodar.


    ADORÁVEL MONITOR

                    Eram 9 horas da noite de uma sexta-feira. Tomei um uísque e liguei para a Tri-Star. "Qual é o reembolso se eu preferir não ficar com o monitor?", perguntei. Eles cancelaram essa parte do meu pedido e me deram um crédito de 1.062 dólares, o suficiente para justificar a compra do monitor que eu desejava desde o início - o MultiSync 5FG, da NEC. Para isso, só precisaria acrescentar 300 dólares extras aos 500 dólares extras que já havia gastado para ter o Hitachi, mas era o mais adorável monitor do mundo, pelo menos por algum tempo.

                    Tinha lido muito sobre chips formidáveis, mas só com a chegada do meu micro pude entender o que eles faziam de fato. Tinha de agilizar meu fluxo de dados mental (em outras palavras, pensar e digitar mais rápido). Nessa época, compreendi melhor os limites da velocidade pura. Uma vez que manejar um texto na tela é como patinar sobre o gelo, quanto de velocidade a mais se pode pretender? Alta velocidade é mais importante quando se trata dos problemas de desenho e pintura, como o CorelDraw, uma sublime ferramenta gráfica. Tinha muito com que me divertir, configurando, aprendendo a mexer com os softwares, namorando com a máquina, enfim. Estava no paraíso computadorizado - até que a vontade de ter mais poder apareceu de novo.


    REVISÃO CONSTANTE

                    A informática muda sem cessar porque a capacidade de processamento de uma máquina completa concentra-se em um simples chip. A revisão constante dos padrões é inerente ao hardware - e aos fabricantes de hardware, também. Alguns afirmam que o canal direto está condenado à morte e absolutamente ninguém imagina que não se vá transformando drasticamente. Em um futuro próximo, haverá com certeza menos empresas atuando nele. Serão companhias maiores que estarão vendendo produtos minúsculos, portáteis, máquinas com o tamanho aproximado do relógio de pulso de Dick Tracy. Não importa quanto as coisas possam tornar-se diferentes. Nós, os idiotas computadorizados, sabemos bem que sempre haverá produtos de informática concebidos para enganar os consumidores, mas que a seu lado se poderá encontrar, o tempo todo, coisas formidavelmente quentes. É por elas que buscamos, fazendo pedidos pelo correio, que resultam em entregas a domicílio. Por enquanto, eu e Pam estamos brigando para decidir quem vai usar o Tri-Star. Temo que tenhamos de comprar outro.

    Quando o micro vira um vício muito perigoso (1993, Forbes Inc.)

    Obcecados por novas tecnologias, muitos usuários
    passam várias horas na frente da tela do
    computador, afetando até mesmo suas vidas pessoais

            Tripp Lilley, um segundanista da Virginia Technology, não tem apenas um micro-computador Aberdeen 486 em seu escritório - tem uma rede. Seu micro está ligado ao Mylex 486 de seu companheiro de quarto e a um TRS-80 modelo 100 antigo que ele instalou na cozinha "para ler mensagens do correio eletrônico e o noticiário logo depois do suco de laranja, todas as manhãs". Mas o sistema ainda não é suficientemente poderoso na opinião de Lilley, que deseja mais 112 megabytes de memória e um disco rígido com capacidade para armazenar 1 gigabyte em arquivos. Além disso, economiza o dinheiro que ganha em um emprego temporário com o objetivo de comprar um leitor de código de barras, a 300 dólares, para escanear as embalagens dos alimentos antes de guardá-los no freezer. Depois, poderá ligar para seu apartamento do computador central do campus e, verificando o estoque doméstico, decidir se almoça em casa ou procura a Pizza Hut mais próxima.

            Lilley racionaliza sua obsessão por equipamentos argumentando que esse aparato lhe será muito útil no futuro, quando, já engenheiro, precisará dele em seu trabalho. Talvez esteja certo, mas seu comportamento compulsivo parece indicar que ele está acometido da Síndrome de Geek. As vítimas desse mal moderno adentram o universo da informática da mesma maneira que a maioria das pessoas: adquirindo um micro básico. Logo, porém, sentem necessidade de migrar para máquinas mais rápidas - e a partir daí simplesmente não conseguem parar de comprar. Cada nova geração de microprocessadores ou discos rígidos exerce sobre eles uma sedução inelutável.

            James Gordon Upton, um ex-executivo de propaganda e marketing de Manhattan que hoje, aos 69 anos e aposentado, vive em uma fazenda em Bedford, New Hampshire, comprou seu primeiro micro há quatro anos. Tem um 486SX de 25MHz montado sob encomenda e dotado de um modem interno com velocidade de 9.600 bits por segundo. Upton passa mais de 2 horas diárias em frente à tela. Sua paixão é o Links 386 Pro, um jogo de golfe eletrônico que fornece os recordes já atingidos por outros jogadores que assim se transformam em adversários virtuais.

    RECURSOS MULTIMÍDIA

            O software está longe de exigir muito recurso de máquina, mas, só por prevenção, Upton dispõe de duas impressoras e um scanner Logitech de aproximadamente 200 dólares, além de uma placa de áudio Sound Blaster, de 180 dólares, para obter efeitos sonoros digitais. Mas isso ainda é pouco para Upton, que quer acrescentar recursos multimídia à sua parafernália doméstica. Na prática, esse singelo desejo representa pelo menos um leitor óptico para compact disc, a um custo de 400 dólares, mais uma placa de vídeo, a 600 dólares. Desse modo ele poderá editar seus próprios vídeos e capturar imagens de televisão. "São ferramentas tão sedutoras quanto os carros esporte", diz Russell Walter, 45 anos, autor de The Secret Guide to Computers (O Guia Secreto para os Computadores) e consultor de informática em Somerville, Massachusetts. Ele testemunhou em primeira mão diversos casos de vício em computador. "A maior parte das pessoas pode obter o sistema de que necessita por 1.000 dólares", comenta. "Mas um pequeno investimento a mais resulta em um poder de fogo muito maior, e o processo, uma vez detonado, nunca chega ao fim."

            Walter tem 45 computadores em casa, a maioria deles amontoada em pilhas de quase 2 metros de altura, no meio da sala de estar. É em seu quarto, porém, que ele deixa os equipamentos de estimação - os que produzem som. Lá estão também cinco sintetizadores musicais, inclusive um Roland Jupter-6, que Walter pretende trocar por um micro Synergy 386 aparelhado com uma placa de áudio. "Funciona como as drogas", explica ele. "Para sustentar o vício, acaba-se executando serviços para terceiros e entrando para a indústria." Os viciados, segundo Walter, tendem a criar programas e passá-los aos outros, encorajando-os a viciar-se também. Foi assim que o publicitário aposentado Upton foi fisgado. Seu fornecedor é um montador de micros autônomo que desenvolveu um dispendioso gosto pelas engenhocas eletrônicas e acabou partindo para a consultoria com a finalidade de financiar seu vício.

    ADESIVO

            Penn Jillette, que aos 38 anos é um dos astros do quadro de mágicas Penn & Teller, da TV americana, é fanático por computadores desde 1985. Tudo começou quando ele convenceu um jovem aficcionado a mostrar-lhe as maravilhas da informática em troca de alguns vales-refeição diários. Hoje, Jillette carrega compulsivamente, aonde quer que vá, seu notebook 486SX Toshiba TA4400C com monitor colorido, 20 MB de memória RAM e 120 MB no disco rígido. Leva 7.000 dólares nas mãos. Ele afirma que mantém com a máquina uma relação semelhante à de seus amigos artistas plásticos com as obras. "O brilho da tela me deixa feliz", conta Jillette, defensor da singular idéia de que os micros muito velozes deveriam conter um adesivo estampando chamas.

            Mas como saber se o relacionamento com os computadores está-se transformando em problema e as máquinas estão tomando conta da vida do usuário? Um forte indício de compulsão é comprar uma placa de áudio de 200 dólares só para ouvir o horário, em vez de contentar-se com vê-lo na tela. Ou desembolsar 600 dólares exclusivamente para assistir televisão no monitor. Outro sinal de perigo é passar a construir em casa os próprios micros, só pelo desafio que isso coloca. Paul Matthews, 37 anos, consultor de informática de Boston, tem esse hábito. Já vasculhou mercados de quinquilharias e lojas de informática para construir um micro 486 para a mesa da cozinha. Sua grande obsessão, porém, é a realidade virtual. Última palavra em interface, esses sistemas de imersão tridimensional ainda se limitam a utilizações muito sofisticadas - e custam os olhos da cara. Por isso Matthews dedica-se a desenvolvê-los. Está reformando um acessório de videogame infantil para transformá-lo em uma luva de fibra óptica de 8.800 dólares.

            A adoração por sistemas on-line também merece cuidadosa atenção. Especialmente quando o usuário é assinante de redes como a CompuServe, que cobra cada minuto de conexão. "Serviços on-line podem gerar problemas seríssimos para algumas pessoas", opina Thomas Mandel, um futurista da SRI International, de Menlo Park, Califórnia, e freqüentador contumaz das redes. Kamal-Singh, um analista de sistemas de 28 anos que trabalha na Lehman Brothers de Nova York, tem três computadores em seu apartamento. Um deles é uma workstation, da Sun, com 32 MB de memória RAM e um disco rígido de 400 MB. É um equipamento de 11.000 dólares. Entre o sistema doméstico e o computador em que trabalha, Sigh passa 16 horas diárias, seis dias por semana, em frente às telas. "Minha mulher costuma dizer que a máquina tem uma importância maior que ela em minha vida", conta ele. A esposa, brinca, já o teria deixado, não fosse o fato de ele ter-lhe arranjado uma boa cabeleireira por meio do Medline, banco de dados on-line da Dialog Information Services (60 centavos de dólar por minuto).

    CORREIO ELETRÔNICO

            Até que ponto o vício pode ir? Um jornal médico relatou, em 1987, o caso do jovem Dane, que aos 18 anos passava de 12 a 16 horas por dia sobre o teclado. Os médicos do Hospital Nordvang, de Copenhague, testemunharam que, em alguns momentos, Dane confundia sua personalidade com a da máquina, dizendo disparates como "Linha 10, ir ao banheiro; linha 11, passar à próxima". Não é exatamente um comportamento normal. Portanto, o momento em que se chega a esse estágio é também o de pedir ajuda. Pode-se, por exemplo, adquirir uma assinatura da rede Internet, de preferência com uma conexão de alta velocidade, e freqüentar a Usenet, correio eletrônico dos usuários. Alguns deles promovem encontros para viciados, verdadeiras terapias de grupo - via rede e em tempo real, naturalmente.

    August 29

    Quem não lê, mal fala, mal ouve, mal vê (por Alfredo Maia, 1985)

            A comunicação faz parte da vida humana. Sem ela, o homem não poderia transmitir suas descobertas e inventividade para outros homens. Não poderia evoluir como ser inteligente e, fatalmente, desapareceria da face da Terra.

            Entretanto, para que haja comunicação, é necessário, além de pelo menos um falante e um ouvinte, que haja uma padronização na linguagem, caso contrário a transmissão e o recebimento de idéias e pensamentos seriam passíveis de incompreensão por ambos os lados.

            Da observação dos fenômenos naturais, o homem descobriu que poderia associar sons ao que via e, assim, inventou a fala. Esta, por sua vez, é grandemente passível de mudanças tanto por problemas de fonética como por quem as decodifica e as retransmite.

            Surgiu, então, a necessidade de preservar as palavras e os seus significados para que estes não fossem mudados com o uso das palavras.

            Pinturas em cavernas milenares são exemplos marcantes da tentativa do homem em criar um padrão de símbolos que transmitissem idéias, pensamentos ou eventos. Com o passar dos anos, surgiu a palavra escrita, que era capaz de transmitir, na sua íntegra, todo um pensamento ou evento.

            A linguagem escrita, no entanto, vem sofrendo modificações com o avanço humano. A leitura torna-se, então, uma necessidade para o homem, pois esta é a única forma realmente segura de comunicação ou, pelo menos, pouco passível de mudanças radicais.

            Pode-se concluir que, na atualidade, a pessoa que não lê, mal fala, pois mal pode manipular o que ouve e mal vê, pois não pode associar o que vê à sua própria realidade pensante.

    O Voto é um Direito de Todo Cidadão (por Alfredo Maia, 1985)

            Desde os tempos mais remotos, na antiga Grécia, os homens já sabiam da necessidade de liderança. Um povo, para coexistir harmoniosamente, tem que ser conduzido por uma pessoa competente e inteiramente a par dos interesses desse povo.

            Numa comunidade, a eleição de um líder pode ser de modo direto ou indireto, dependendo das leis vigentes nessa comunidade. O voto, então, torna-se um direito de cada integrante dessa comunidade, pois todos têm o direito de preferir um a outro líder.

            Uma vez escolhido esse líder, ele deverá conduzir a comunidade, zelando pelos interesses dela. Caso isso não aconteça, a comunidade tem também o direito de demitir o líder do cargo de liderança e convocar novas eleições.

            Em algumas localidades, a eleição de um líder pelo povo torna-se uma utopia. Há alguns anos o Brasil era um país onde o autoritarismo militar comandava os destinos da Nação. O povo era impossibilitado de votar em seus líderes e opinar sobre as diretrizes da nação.

            Hoje, com a Nova República, a situação inverteu-se. Reconhecido o direito do povo ao voto, o povo, agora, pode eleger não apenas os seus governadores.

            Num futuro próximo, talvez seja reconhecido o direito de o cidadão votar para Presidente da República.

    Explosão Demográfica e Controle da Natalidade (por Alfredo Maia, 1985)

            Um dos melhores exemplos de explosão demográfica é o que ocorreu com o Japão, um país que, logo após a segunda Grande Guerra, teve os seus índices de natalidade elevados a números realmente alarmantes.

            O Japão, por ser um país de relativamente pouca área por habitante, não era capaz de suportar a sua crescente população. O crescimento desordenado da população acrescido de um baixo crescimento de recursos alimentares, levou o governo japonês a procurar um meio de conter a explosão demográfica, que se alastrava pelo país.

            O controle da natalidade foi o melhor recurso que o governo japonês pôde encontrar.

            Com o auxílio monetário dos Estados Unidos da América, o Japão criou entidades governamentais exclusivamente voltadas para o controle da natalidade, tais como instituições de planejamento familiar e auxílio monetário às famílias que não tivessem mais que dois filhos, pagando-lhes, inclusive, colégio e assistência médica até que alcançassem a idade adequada para o trabalho.

            Incentivou-se, também, o uso de anticoncepcionais e legalizou-se o aborto, contribuindo, assim, para um controle ainda mais radical no que concerne a controle de natalidade.

            O Japão de hoje é um país rico e próspero, graças ao rigoroso controle exercido sobre a natalidade japonesa.

    Primeiro Satélite Doméstico Brasileiro. Importância e Conseqüências de Sua Colocação em Órbita em Março de 1985 (por Alfredo Maia, 1985)

            A comunicação à distância desempenha um importante papel no processo de desenvolvimento tecnológico de um povo. A necessidade de uma rápida e eficiente via de comunicação à distância tornou-se alvo prioritário de grandes empresas de comunicação.

            A solução adotada já há alguns anos pelos brasileiros, foi a utilização de satélites estacionários americanos. Entretanto, tal utilização só é possível mediante um pagamento de taxas de aluguel muito altas, as quais obviamente, são pagas em dólares. Tais dólares, por sua vez, não retornam aos cofres do Brasil, o que acarreta num sensível incremento da nossa dívida externa.

            Tendo em vista o aprimoramento dos meios de comunicação, o aumento da necessidade de novas linhas de comunicação e, até mesmo, questões econômico-financeiras, decidiu-se que a colocação em órbita em março de 1985 de um satélite doméstico Brasileiro, seria a melhor saída para os problemas atravessados atualmente por empresas do setor das telecomunicações pois, apesar de um satélite ser um aparelho delicado e de custo bastante considerável, os gastos com as suas fabricação e colocação em órbita serão muito menores se comparados à manutenção do pagamento de altas taxas de aluguel por um período quase que ilimitado.

    É Possível Prever Cientificamente o Futuro ? (por Alfredo Maia, 1985)

            O homem está voltado para o sobrenatural desde os tempos mais remotos. Mas nada fascinou e ainda fascina mais o homem do que a previsão do futuro.

            Sabe-se que, na Grécia Antiga, os homens serviam-se de mapas estrelares para predizer o futuro. Tais mapas eram elaborados por velhos sábios gregos, que passavam quase que a vida inteira observando o movimento dos astros e as posições estrelares. Da combinação dessas posições com os movimentos astrais, os sábios prediziam, desde os dias ideais para a semeadura da terra, até os acontecimentos sociais entre eles.

            Outros povos, por sua vez, valiam-se de vísceras de animais tais como peixe, galinha ou cabra para a previsão do futuro. Outros, de sementes, de cascas de árvores, de contas coloridas e até mesmo de barbantes.

            Entretanto, uma medida, para ser científica, tem que partir não apenas de observações mas também de experiências científicas. A análise dos fatos e a comparação com acontecimentos, se não obtiverem uma explicação científica - baseada em outros fatos e acontecimentos naturais ou experiências - não poderá ser considerada uma análise científica, ou seja, tal medida não será científica.

            A previsão do futuro não é, portanto, um método científico na sua própria essência. Entretanto, é possível a previsão do tempo pela observação de cartas de tempo, elaboradas a partir de observações por satélites artificiais.

            A observação e o experimento comprovam as cartas de tempo, tornando-as cientificamente aceitas como previsões de tempo.

            Não devemos, então, confundir a previsão de tempo com a previsão do futuro, pois esta - a previsão do futuro - não é conseqüência de experimentos científicos, mas apenas a criatividade do homem.

    As Cidades do Futuro (por Alfredo Maia, 1985)

            Empolgado na síntese de novos produtos, o homem prossegue no desenvolvimento das técnicas e artes, avançando para a perfeição.

            Essas mudanças estão sendo percebidas cada vez mais nas grandes e pequenas cidades.
           
    Entretanto, isso tudo é apenas o começo da nova era, em que as cidades tendem a se tornar cada vez mais cheias de gente.
           
    Convidativas com seus letreiros luminosos, versáteis com os seus carros subterrâneos, as cidades atendem às necessidades de um povo que cada vez mais dispõe de menos tempo para se locomover.
           
    Futuramente, as cidades não apenas serão velozes mas também arquitetonicamente mais planejadas. Os carros não serão movidas à gasolina, álcool ou qualquer outro combustível, mas sim por energia elétrica. Os coletivos serão bem maiores do que os atuais e, também, movidos a energia elétrica.
           
    Na realidade, a base energética das cidades futuras será a energia elétrica. Além disso, aparecerão os videotextos que facilitarão em muito a vida dos cidadãos pois aqueles farão reservas em teatros, boates, restaurantes, sem que haja necessidade de sair de casa. Notícias expressas poderão ser obtidas com mais facilidade. Aliás, em matéria de velocidade de informação, as novas cidades contarão com uma rede magnífica e muito eficiente de sistemas que fornecerão as informações desejadas em apenas poucos segundos.
           
    Isso não é um sonho ou uma visão otimista de um futuro ainda longínquo, mas sim uma visão de um presente que não só está no agora, mas também no futuro de uma civilização, a civilização humana.

    Estradas e Progressos (por Alfredo Maia, 1985)

            O axioma de que a linha reta é o caminho mais curto entre dois pontos não terá servido de regra ao homem primitivo na abertura dos seus caminhos, já que ele, premido pela falta de recursos e ferramentas, era forçado a optar pelas soluções onde encontrasse menores obstáculos. Em geral, esses caminhos eram construídos pela própria trilha dos animais.

            A estrada mais antiga de que se tem notícia é a Semíramis, citada por Ctésias, médico de Artaxerxes II, de acordo com Ernst Herzfeld no seu livro “O Sistema de Estradas no Oriente Próximo, de 2000 a 500 A.C.”: “Semíramis construiu uma estrada de Babilônia a Agbatana, nivelando as eminências e aterrando as depressões com o fim de levantar um monumento imortal, que até hoje é chamado de a Estrada de Semíramis”.

            Mas as primeiras estradas, dignas dessa denominação - embora feitas, principalmente, com objetivos militares - são do tempo de Roma, algumas revelando trabalhos que atravessam os séculos, como a famosa Via Appia.

            Até o advento da locomotiva a vapor, as estradas medievais e da moderna Europa não valiam as romanas do tempo dos imperadores antoninos. Curiosamente, as antigas estradas romanas não apresentavam curvas.

            O progresso humano, como podemos observar, está intimamente relacionado com o desenvolvimento das estradas.

            Hoje, a estrada de rodagem, por si própria ou em conexão com a estrada de ferro, atua como verdadeiro elemento desbravador, seja no lançamento das artérias centrais, seja nas ramificações que se infiltram até as moradas distantes. Promove a coleta dos produtos, o encaminhamento e a distribuição das riquezas, a troca das matérias-primas, de bens e de objetos de todas as espécies. Favorece o deslocamento de pessoas e, portanto, as reúne e facilita o progresso do conhecimento humano.

    O Papel da Ecologia na Atualidade (por Alfredo Maia, 1985)

            Em 1866, o biólogo alemão Ernest Haeckel, em sua obra Morfologia Geral dos Organismos, propôs a criação de uma nova e modesta disciplina científica, ligada ao campo da Biologia, que teria por função estudar as relações entre as espécies animais e o seu ambiente orgânico e inorgânico. Para denominá-la, ele utilizou a palavra grega oikos e cunhou o termo “ecologia”. A mesma palavra grega havia sido usada anteriormente para denominar outra disciplina, que também viria a ocupar lugar de destaque no mundo contemporâneo - a “economia”.

            Qualquer pessoa que acompanhe o debate atual sobre os termos ditos ecológicos nos meios de comunicação poderá verificar a grande distância que separa a modesta proposta original de Haeckel e a ampla gama de idéias, projetos e visões de mundo que reivindica hoje em dia o uso da palavra “Ecologia”.

            Devemos observar, também, que a palavra Ecologia não é usada em nossos dias apenas para designar uma disciplina científica, cultivada em meios acadêmicos, mas também para identificar um amplo e variado movimento social, que em certos lugares e ocasiões chegaria a adquirir contornos de um movimento de massas e uma clara expressividade política.

            É natural, entrementes, diante da ampliação do campo da ecologia e da diversidade do movimento ecológico, que exista ao nível da opinião pública uma percepção bastante confusa sobre o que seja de fato essa corrente de pensamento, confusão agravada pela multiplicidade de enfoques e apropriações sociais das idéias surgidas no debate ecológico e divulgadas de forma fragmentária pelos veículos de comunicação de massa.

    As Aparências Enganam (por Alfredo Maia, 1985)

            Existem pessoas muito prestativas e amigos. Elas estão sempre prontas a ajudar a pessoa vizinha. Não podem ver ninguém em apuros ou em dificuldades que logo se adiantam em oferecer seus préstimos. Essas pessoas são, em geral, pessoas incrivelmente solidárias e humanas, que estão sempre prontas a fazer um bem, sentindo-se bem com isso.

            Entretanto, nem sempre essas pessoas são tão bem-intencionadas. A motivação que as leva a praticar determinadas boas-ações pode não ser verdadeira.

            Não são raras as pessoas que se deixaram levar pelas falsas amizades, por pessoas que aparentavam ser as melhores amigas que alguém poderia ter no mundo.

            A ganância pode transformar um homem em um indivíduo perigoso e hostil, a ponto de esse homem utilizar-se de outro homem para alcançar altas colocações sociais ou apoderar-se de grandes somas de dinheiro.

            Um sorriso largo, a fala macia e sedutora, um turbilhão de promessas para o futuro e um ar de exagerada simpatia caracterizam, em geral, algumas dessas pessoas.

            Contudo, muitas dessas falsas amizades não são percebidas logo de imediato, pois o aparentemente solidário, alegre, amigo e “bem-intencionado” colega consegue disfarçar o seu intuito com tal perfeição que enganaria até o mais esperto dos seres viventes, cativando-lhe o coração e levando-o para a própria destruição.

            Não que devamos sempre estar desconfiados uns dos outros, mas devemos ter cuidado com nossas amizades pois, por mais amigas que elas pareçam ser, podem nos estar prejudicando.